quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

TRANQUILIZANDO OS ANIMAIS NAS FESTAS DE FIM DE ANO


Por Virgínia Bagés, Argentina

Propus-me a conscientizar o maior número possível de pessoas sobre os danos que causamos aos animais ao usar pirotecnia, para que nas festas deste ano eles não sofram. Nas festas do ano passado tive que ver as consequências da infeliz pirotecnia: cachorros perdidos, atropelados, aturdidos e agonizando longe de seus guardiães - que nunca mais encontrarão - .Somente na província de Neuquen contei mais de 100.

Quando praticas a pirotecnia, teu cachorro, gato, cavalo sente: palpitações, taquicardia, salivação, tremores, sensação de insuficiência respiratória, falta de ar, náuseas, atordoamento, sensação de irrealidade, perda de controle, medo de morrer.

Essas alterações provocam na conduta do animal tentativas descontroladas de escapar, incentivada pelo estado de pânico, podendo durar vários minutos e em casos severos podem variar de 1 a várias horas, dependendo do tempo que dure o estímulo (barulho provocado por fogos nas festas de final de ano).

Para minimizar este sofrimento, indicamos abaixo a receita de florais da terapeuta Martha Follain:

Florais de Bach

ATENÇÃO: Quando for mandar manipular a fórmula Floral, lembre de avisar que a mesma não poderá conter CONSERVANTES, portanto, O ÁLCOOL, A GLICERINA E O VINAGRE DE MAÇÃ estarão FORA! Nesta fórmula, somente poderá entrar ÁGUA MINERAL, e, embora, nas farmácias de manipulação costumem dizer que esta fórmula só dura dois dias, NA GELADEIRA, ela durará QUINZE DIAS, com certeza! Mande fazer, em qualquer farmácia de manipulação (aquela que avia receitas):

RESCUE + CHERRY PLUM + ROCK ROSE + MIMULUS + VERVAIN + SWEET CHESTNUT

DOSAGEM

* Para aves pequenas: 2 gotas da fórmula, 4 vezes ao dia, pode ser colocada no bebedouro;
* Para aves médias: 4 gotas da fórmula, 4 vezes ao dia, pode ser colocada no bebedouro;
* Para cães de pequeno e médio porte e gatos: 4 gotas da fórmula, 4 vezes ao dia, diretamente na boquinha;
* Para cães de grande porte e gigantes: 6 gotas, 4 vezes ao dia, diretamente na boquinha de seu amigão;
* Para cavalos ou animais de grande porte: 10 gotas, 4 vezes ao dia, para cada litro.

Para se ter absoluto sucesso no tratamento, é interessante que se tenha continuidade no mesmo, não esquecendo de ministrar as gotinhas regularmente. Aconselha-se a começar o tratamento, pelo menos, 5 dias antes do natal e estendê-lo até o dia 3 de janeiro, já que algumas pessoas insistem em prolongar a barulheira!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A ecologia no Budismo


Esta é a prática de enxergar profundamente, de tocar a realidade, e de viver totalmente consciente. Você enxerga e toca todas as coisas como uma experiência e não como uma noção. A noção do homem ser mais importante que outras espécies é uma noção errada. Buda nos ensinou a ser cuidadosos com o nosso meio-ambiente. Ele sabia que, cuidando das árvores, estamos cuidando dos homens. Precisamos viver nosso dia-a-dia com esse tipo de consciência. Isto não é filosofia. Precisamos desesperadamente de total consciência para que nossos filhos e netos estejam a salvo. A idéia de que o homem pode fazer qualquer coisa que queira às custas dos elementos não-homem é uma noção ignorante.

Respire com profunda consciência de que você é um ser humano. Então expire e toque a Terra, um elemento não-homem, como se ela fosse a sua mãe. Visualize as correntes de água sob a superfície da Terra. Veja os minerais. Veja nossa Mãe Terra, a mãe de todos nós. Então levante seus braços e inspire novamente, tocando as árvores, flores, frutas, pássaros, esquilos, ar e céu – os elementos não-homem. Quando sua cabeça está tocando o ar, o sol, a lua, as galáxias, o cosmo – elementos não-homem que vêm juntos para tornar possível o homem – você vê que todos os elementos estão vindo para você a fim de tornar possível o seu ser.

Thich Nhat Hahn, Cultivando a Mente de Amor, tradução de Odete Lara, Editora Palas Athena, São Paulo, 2000

Postado em Para Ser Zen

sábado, 19 de dezembro de 2009

Copenhague, um escândalo histórico


Não se deixe enganar pelas aparências se todos os discursos políticos dos 193 chefes de Estado e de governo ressaltarem os avanços da a 15a Conferência do Clima (COP-15) das Nações Unidas. As declarações visam a tornar menos evidente para a opinião pública mundial que a maior reunião diplomática da história, realizada durante os últimos 12 dias, em Copenhague, é também o maior fracasso da história das negociações contemporâneas sobre a questão climática.

Aliás, é mais do que isso: é um escândalo.

Pasme: o texto “aprovado” por Estados Unidos, China, Brasil e Índia ainda não existe. Negociadores estão neste momento, 0h34min em Copenhague – 21h34min em Brasília – tentando encontrar mínimos consensos para justificar em um documento o que “líderes” acordaram sem ler.

A própria sobrevivência do Protocolo de Kyoto – o único mecanismo minimamente eficaz de política climática já elaborado – e de seu irmão natimorto, o documento que vinha sendo produzido há dois anos no grupo de trabalho LCA, está ameaçada nesta noite assustadora, em Copenhague.

A COP-15, cujos procedimentos formais prosseguem no Bella Center, terá como resultado um texto sem força de lei, com metas enfraquecidas de redução das emissões de CO2, sem instrumentos de financiamento, sem meios de verificação das ações ambientais nos países emergentes. A lista de falhas poderia se estender por várias páginas, e cada um de seus parágrafos deixaria claro que são vãos os esforços que presidentes como Barack Obama, dos Estados Unidos, e Nicolas Sarkozy, da França, estão fazendo para explicar o inexplicável.

A conferência de Copenhague, desenhada há dois anos, na COP-13, em Bali, na Indonésia, deveria marcar o apogeu da maturidade dos líderes políticos mundiais, convencidos pela gravidade da ameaça do aquecimento global – cada dia mais comprovada pela comunidade científica. O resultado, entretanto, é o inverso: prova que a economia, a geopolítica, as rivalidades nacionais ou a simples desconfiança mútua – originada na Guerra Fria, no caso da clara oposição entre Estados Unidos e China –, ainda são preponderantes.

Não bastasse, a dimensão do impasse nas negociações da COP-15 e o discurso de Obama a jornalistas norte-americanos – aliás, por que o presidente dos Estados Unidos não pode atender à imprensa estrangeira? – revelam mais: um dos pilares da Convenção do Clima, assinada no Rio de Janeiro, em 1992, está em xeque. O princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada, pelo qual países industrializados admitiam sua culpa histórica pela poluição que jogaram na atmosfera, não será mais a regra básica do jogo em uma próxima COP.

Se houver uma próxima COP.

Fonte

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Confrontos em Copenhague


Leonardo Boff escreve sobre os confrontos em Copenhague

Em Copenhague nas discussões sobre as taxas de redução dos gases produtores de mudanças climáticas, duas visões de mundo se confrontam: a da maioria dos que estão fora da Assembléia, vindo de todas as partes do mundo e a dos poucos que estão dentro dela, representando os 192 estados. Estas visões diferentes são prenhes de conseqüências, significando, no seu termo, a garantia ou a destruição de um futuro comum.

Os que estão dentro, fundamentalmente, reafirmam o sistema atual de produção e de consumo mesmo sabendo que implica sacrificação da natureza e criação de desigualdades sociais. Crêem que com algumas regulações e controles a máquina pode continuar produzindo crescimento material e ganhos como ocorria antes da crise.

Mas importa denunciar que exatamente este sistema se constitui no principal causador do aquecimento global emitindo 40 bilhões de toneladas anuais de gases poluentes. Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas. Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo.

Ocorre que estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana.

Não passa pela cabeça dos representantes dos povos que a alternativa é a troca de modo de produção que implica uma relação de sinergia com a natureza. Reduzir apenas as emissões de carbono mas mantendo a mesma vontade de pilhagem dos recursos é como se colocássemos um pé no pescoço de alguém e lhe dissésemos: quero sua liberdade mas à condição de continuar com o meu pé em seu pescoço.

Precisamos impugnar a filosofia subjacente a esta cosmovisão. Ela desconhece os limites da Terra, afirma que o ser humano é essencialmente egoista e que por isso não pode ser mudado e que pode dispor da natureza como quiser, que a competição é natural e que pela seleção natural os fracos são engolidos pelos mais fortes e que o mercado é o regulador de toda a vida econômica e social.

Em contraposição reafirmamos que o ser humano é essencialmente cooperativo porque é um ser social. Mas faz-se egoísta quando rompe com sua própria essência. Dando centralidade ao egoísmo, como o faz o sistema do capital, torna impossível uma sociedade de rosto humano. Um fato recente o mostra: em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões. Não é a competição que constitui a dinâmica central do universo e da vida mas a cooperação de todos com todos. Depois que se descobriram os genes, as bactérias e os vírus, como principais fatores da evolução, não se pode mais sustentar a seleção natural como se fazia antes. Esta serviu de base para o darwinismo social. O mercado entregue à sua lógica interna, opõe todos contra todos e assim dilacera o tecido social. Postulamos uma sociedade com mercado mas não de mercado.

A outra visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos.

Essa cooperação não é uma virtude qualquer. É aquela que outrora nos permitiu deixar para trás o mundo animal e inaugurar o mundo humano. Somos essencialmente seres cooperativos e solidários sem o que nos entredevoramos. Por isso a economia deve dar lugar à ecologia. Ou fazemos esta virada ou Gaia poderá continuar sem nós.

A forma mais imediata de nos salvar é voltar à ética do cuidado, buscando o trabalho sem exploração, a produção sem contaminação, a competência sem arrogância e a solidariedade a partir dos mais fracos. Este é o grande salto que se impõe neste momento. A partir dele Terra e Humanidade podem entrar num acordo que salvará a ambos.

*Leonardo Boff é teólogo.

(IHU On-line)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Florianópolis: um Natal sem árvore? E sem Circo?


artigo de Ana Echevenguá

Criancinhas que acreditam em Papai Noel, não se apavorem ao lerem nos jornais da cidade:

Agora a programação de Natal está nas mãos da Justiça”,

“Sou obrigado a cumprir a decisão da Justiça. Nós vamos fazer de tudo para manter a programação de Natal, mas toda a festa está ameaçada”

Como se isso fosse parte de roteiro de filme de terror! E a Justiça fosse o vilão da história!

Tomara que tenham avisado o Andrea Bocelli, um das atrações previstas, ou teremos problemas de ordem internacional!!

Estas frases são do Secretário de Turismo de Florianópolis. Segundo ele, o festerê de Natal (do jeito que eles queriam) deu zebra porque a Justiça suspendeu o contrato de R$ 3,7 milhões que ia nos conceder um Natal tecnologicamente diferenciado. Com uma mega-árvore cheia de luzinhas coloridas e com “uma inteligência tecnológica que só esta tem” 2. A gente pode mandar textos e imagens pra ela e ela exibe isso pra todo mundo…

E, agora, por causa da Justiça, as criancinhas da Ilha da Magia podem ser privadas disso!

Por favor, não chorem pelos Manezinhos: este Circo todo foi suspenso porque iríamos pagar R$ 3,7 milhões (só pelo Circo, não pela vinda do tenor italiano) para uma tal de PalcoSul Eventos Ltda. que foi contratada para amarrar os contratos entre a Prefeitura e as empresas (Feelings, a On e a Beyondcomm) que deixariam o Circo funcionando3.

Esta negociata não teve licitação devido àquela folga da lei que permite contratar empresas com notória especialização na execução do serviço exigido pelo órgão público. Ah! Palmas às brechas da Lei!!

Um juiz ‘porreta’ suspendeu tudo; até os pagamentos pendentes. E mandou pegar de volta o dinheiro já entregue à empresa. A sua justificativa para a medida é clara4: “a documentação anexada aos autos deixa claro que a prefeitura terá que pagar R$ 3,7 milhões, mas as subcontratações somam R$ 1.696.700,00. Ficaria, assim, caracterizado um valor a descoberto de mais de R$ 2 milhões”. Para ele, “isso é o que basta, para formar-se o convencimento que o dinheiro público, que é todo do florianopolitano ou daqueles que recolhem os tributos aqui, deva ser resguardado”.

Sabem como a Prefeitura ia pagar esse Circo??? O Ministério Público afirma que ela criou um fundo de R$ 13 milhões; e o deu pra Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esportes. Este dinheiro veio da anulação as dotações orçamentárias das obras de drenagem e pavimentação asfáltica de ruas e servidões.

Ou seja: aluga a árvore, monta o Circo, tira foto… e deixa as ruas como estão: com buracos, crateras, …

Mas, infelizmente, tudo isso pode ser revertido! O que o juiz decidiu, baseado em investigações do Ministério Público, pode ser alterado no Tribunal de Justiça. Coisa tão corriqueira que até aparece nos noticiários da tv…

Se isso acontecer, todo mundo vai participar do tecnológico Circo na Beira-MarMorto Norte, aspirando o cheiro de esgoto vindo das águas… vai poder interagir com a árvore de Natal colorida, mandando mensagens pro Papai Noel…

E, assim, a Prefeitura, a Secretaria de Turismo, as empresas envolvidas na negociata continuarão acreditando e defendendo a tese de que Papai Noel existe. E que precisa ser regiamente comemorado!

EcoDebate

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Campanha TicTacTicTac - Beds Are Burning



Para chamar a atenção da população mundial sobre a urgência do tema, mais de 60 artistas aceitaram o convite da campanha TicTacTicTac e cantaram em nome da justiça climática. Duran Duran, Jamie Cullum, Milla Jovovich, Fergie e Lily Allen são apenas algumas das estrelas envolvidas.

Participe - www.tictactictac.org.br
www.twitter.com/tictacbr

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O que está em jogo em Copenhague


“Que se poderia esperar de Copenhague? Apenas essa singela confissão: assim como estamos não podemos continuar. E um simples propósito: Vamos mudar de rumo”, escreve Leonardo Boff, teólogo.

Em Copenhague os 192 representantes dos povos vão se confrontar com uma irreversibilidade: a Terra já se aqueceu, em grande, por causa de nosso estilo de produzir, de consumir e de tratar a natureza. Só nos cabe adaptamo-nos às mudanças e mitigar seus efeitos perversos.

O normal seria que a humanidade se perguntasse, como um medico faz ao seu paciente: por que chegamos a esta situação? Importa considerar os sintomas e identificar a causa. Errôneo seria tratar dos sintomas deixando a causa intocada continuando a ameaçar a saúde do paciente.

É exatamente o que parece estar ocorrendo em Copenhague. Procuram-se meios para tratar os sintomas mas não se vai à causa fundamental. A mudança climática com eventos extremos é um sintoma produzido por gases de efeito estufa que tem a digital humana. As soluções sugeridas são: diminuir as porcentagens dos gases, mais altas para os paises industrializados e mais baixas para os em desenvolvimento; criar fundos financeiros para socorrer os paises pobres e transferir tecnologias para os retardatários. Tudo isso no quadro de infindáveis discussões que emperram os consensos mínimos.

Estas medidas atacam apenas os sintomas. Há que se ir mais fundo, às causas que produzem tais gases prejudiciais à saúde de todos os viventes e da própria Terra. Copenhague dar-se-ia a ocasião de se fazer com coragem um balanço de nossas práticas em relação com a natureza, com humildade reconhecer nossa responsabilidade e com sabedoria receitar o remédio adequado. Mas não é isto que está previsto. A estratégia dominante é receitar aspirina para quem tem uma grave doença cardíaca ao invés de fazer um transplante.

Tem razão a Carta da Terra quando reza:”Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo…Isto requer uma mudança na mente e no coração”. É isso mesmo: não bastam remendos; precisamos recomeçar, quer dizer, encontrar uma forma diferente de habitar a Terra, de produzir e de consumir com uma mente cooperativa e um coração compassivo.

De saída, urge reconhecer: o problema em si não é a Terra, mas nossa relação para com ela. Ela viveu mais de quatro bilhões de anos sem nós e pode continuar tranquilamente sem nós. Nós não podemos viver sem a Terra, sem seus recursos e serviços. Temos que mudar. A alternativa à mudança é aceitar o risco de nossa própria destruição e de uma terrível devastação da biodiversidade.

Qual é a causa? É o sonho de buscar a felicidade que se alcança pela acumulação de riqueza material e pelo progresso sem fim, usando para isso a ciência e a técnica com as quais se pode explorar de forma ilimitada todos os recursos da Terra. Essa felicidade é buscada individualmente, entrando em competição uns com os outros, favorecendo assim o egoísmo, a ambição e a falta de solidariedade.

Nesta competição os fracos são vitimas daquilo que Darwin chama de seleção natural. Só os que melhor se adaptam, merecem sobreviver, os demais são, naturalmente, selecionados e condenados a desaparecer.

Durante séculos predominou este sonho ilusório, fazendo poucos ricos de um lado e muitos pobres do outro à custa de uma espantosa devastação da natureza.

Raramente se colocou a questão: pode uma Terra finita suportar um projeto infinito? A resposta nos vem sendo dada pela própria Terra. Ela não consegue, sozinha, repor o que se extraiu dela; perdeu seu equilíbrio interno por causa do caos que criamos em sua base físico-química e pela poluição atmosférica que a fez mudar de estado. A continuar por esse caminho comprometeremos nosso futuro.

Que se poderia esperar de Copenhague? Apenas essa singela confissão: assim como estamos não podemos continuar. E um simples propósito: Vamos mudar de rumo. Ao invés da competição, a cooperação. Ao invés de progresso sem fim, a harmonia com os ritmos da Terra. No lugar do individualismo, a solidariedade generacional. Utopia? Sim, mas uma utopia necessária para garantir um porvir.

(IHU- On line)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

“Ética ambiental e budismo” Lama Padma Samten



Vídeo da palestra do Lama Padma Samten na PUC-RS, em Porto Alegre, dia 17 de novembro de 2009, na abertura do evento II Bioética em Debate: Ética Ambiental – Crises e Perspectivas.

Continue assistindo:

Partes 02, 03 e 04.

Fonte: Bodisatva

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

McCartney e Pachauri falam aos políticos sobre o problema da carne


Paul McCartney e Rajendra Pachauri convidam prefeitos e outros políticos para atacarem o excessivo consumo de carne nos países ocidentais. Em uma carta, apontam a relação entre a carne e as mudanças climáticas e sugerem que os governos tomem iniciativas para despertar a consciência sobre o problema em seus cidadãos. O ex-Beatle e o presidente do IPCC também discursarão no Parlamento Europeu em um encontro chamado “Menos Carne = Menos Calor”, no dia 3 de dezembro.

Na carta, McCartney e Pachauri apontam o setor pecuário como responsável por 18% das emissões de gases de efeito estufa. Consequentemente, uma das armas mais poderosas contra as mudanças climáticas bem pode ser… nosso garfo. Porém, McCartney e Pachauri também afirmam que esforços individuais, conquanto importantes, são limitados, e que ‘é também responsabilidade dos governos e das indústrias assegurarem que alternativas sustentáveis como produtos vegetais sejam amplamente disponíveis e acessíveis’. Eles listam algumas iniciativas que os governos podem tomar, como as campanhas por um dia sem carne de Ghent e Hasselt (na Bélgica) e as campanhas Segunda sem Carne de São Paulo (Brasil), do Reino Unido e dos Estados Unidos.

No dia 3 de dezembro, McCartney e Pachauri falarão no Parlamento Europeu sobre o tema ‘Menos Carne = Menos Calor’. Quatro dias antes da Conferência sobre o Clima das Nações Unidas em Copenhage, o evento reflete uma percepção de que as mudanças climáticas precisam ser atacadas em todos os níveis – sobretudo individual, mas também local, regional e nacional na Europa e em todo o mundo.

De acordo com a FAO, a pecuária está entre as três principais causas de qualquer problema ambiental significativo, incluindo a degradação da terra, mudanças climáticas e poluição do ar, escassez e contaminação de água e perda de biodiversidade.1 Comer menos carne (e outros produtos de origem animal) não apenas é saudável para nosso planeta, também é para nosso corpo. Um estudo da OMS mostrou que um decréscimo em gordura saturada de apenas um por cento resultaria em cerca de 13.000 óbitos a menos por doenças cardiovasculares na Europa por ano.2 E na semana passada, um novo estudo da Lancet indica que uma redução na produção pecuária de 30% pode diminuir o número de mortes prematuras por doenças cardíacas em 17%.3

Informações sobre a carta

Marly Winckler, SVB
(48) 3234 8034 / 9989 5693
svb@svb.org.br

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quem deve cuidar do Planeta?


Um teólogo famoso, no seu melhor livro - Introdução ao Cristianismo - ampliou a conhecida metáfora do fim do mundo formulada pelo dinamarquês Sören Kierkegaard, já referida nesta coluna. Ele reconta assim a história: num circo ambulante, um pouco fora da vila, instalou-se grave incêndio. O diretor chamou o palhaço que estava pronto para entrar em cena que fosse até à vila para pedir socorro. Foi incontinenti.

Gritava pela praça central e pelas ruas, conclamando o povo para que viesse ajudar a apagar o incêndio.

Todos achavam graça pois pensavam que era um truque de propaganda para atrair o público. Quanto mais gritava, mais riam todos. O palhaço pôs-se a chorar e então todos riam mais ainda. Ocorre que o fogo se espalhou pelo campo, atingiu a vila e ela e o circo queimaram totalmente. Esse teólogo era Joseph Ratzinger.

Ele hoje é Papa e não produz mais teologia mas doutrinas oficiais. Sua metáfora, no entanto, se aplica bem à atual situação da humanidade que tem os olhos voltados para o país de Kierkegaard e sua capital Copenhague. Os 192 representantes dos povos devem decidir as formas de controlar o fogo ameaçador. Mas a consciência do risco não está à altura da ameaça do incêndio generalizado. O calor crescente se faz sentir e a grande maioria continua indiferente, como nos tempos de Noé que é o “palhaço” bíblico alertando para o dilúvio iminente. Todos se divertiam, comiam e bebiam, como se nada pudesse acontecer. E então veio a catástrofe.

Mas há uma diferença entre Noé e nós. Ele construiu uma arca que salvou a muitos. Nós não estamos dispostos a construir arca nenhuma que salve a nós e a natureza. Isso só é possível se diminuirmos consideravelmente as substâncias que alimentam o aquecimento. Se este ultrapassar dois a três graus Celsius poderá devastar toda a natureza e, eventualmente, eliminar milhões de pessoas. O consenso é difícil e as metas de emissão, insuficientes. Preferimos nos enganar cobrindo o corpo da Mãe Terra com band-aids na ilusão de que estamos tratando de suas feridas.

Há um agravante: não há uma governança global para atuar de forma global. Predominam os Estados-Nações com seus projetos particulares sem pensarem no todo. Absurdamente dividimos esse todo de forma arbitrária, por continentes, regiões, culturas e etnias. Sabemos hoje que estas diferenciações não possuem base nenhuma. A pesquisa científica deixou claro que todos temos uma origem comum, pois que todos viemos da África.

Consequentemente, todos somos coproprietários da única Casa Comum e somos corresponsáveis pela sua saúde. A Terra pertence a todos. Nós a pedimos emprestado das gerações futuras e nos foi entregue em confiança para que cuidássemos dela.

Se olharmos o que estamos fazendo, devemos reconhecer que a estamos traindo. Amamos mais o lucro que a vida, estamos mais empenhados em salvar o sistema econômico-financeiro que a humanidade e a Terra.
Aos humanos como um todo se aplicam as palavras de Einstein: “somente há dois infinitos: o universo e a estupidez; e não estou seguro do primeiro”. Sim, vivemos numa cultura da estupidez e da insensatez. Não é estúpido e insano que 500 milhões sejam responsáveis por 50% de todas as emissões de gases de efeito estufa e que 3,4 bilhões respondam apenas por 7% e sendo as principais vitimas inocentes? É importante dizer que o aquecimento mais que uma crise configura uma irreversibilidade. A Terra já se aqueceu. Apenas nos resta diminuir seus níveis, adaptarmo-nos à nova situação e mitigar seus efeitos perversos para que não sejam catastróficos. Temos que torcer para que em Copenhague entre 7 e 18 de dezembro não prevaleça a estupidez mas o cuidado pelo nosso destino comum.

[Autor de Opção-Terra. A solução para a Terra não cai do céu, Record 2009].

* Teólogo, filósofo e escritor

domingo, 29 de novembro de 2009

A vez dos animais


Arnaldo Antunes e outros artistas cantam em show por Copenhague e animais

Um show com artistas e bandas brasileiras como Arnaldo Antunes, Teatro Mágico, Fernanda Porto, Edgard Scandurra, Projeto Pequeno Cidadão, Palavra Cantada, Banda Stevens e Robson Miguel vai acontecer no dia 13 de dezembro (domingo).

A data cai bem na metade do período da conferência do clima da ONU em Copenhague, que ocorrerá entre 7 e 18 de dezembro.

O evento, gratuito, está na agenda da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da prefeitura de São Paulo para Copenhague e ocorrerá no Parque da Independência, junto ao Museu do Ipiranga.

"O show busca chamar a atenção também para os animais, que não têm a devida atenção nesta discussão sobre o clima", diz Silvana Andrade, diretora da Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda), que organiza o evento.

Com o nome de "Música e Consciência - Pelos Animais, Pelo Planeta", o show, que também contará com a presença da atriz Gabriela Duarte, pretende disseminar por meio da música "a importância de vivermos em harmonia, respeitando a vida" e "levar uma mensagem de convivência pacífica e ética" com os outros seres, divulga o comunicado da agência.

Todo o evento é construído com colaborações voluntárias - inclusive dos artistas - e seu início é previsto para a partir das 11h, com seis horas de duração.

A conferência de Copenhague busca um novo acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, com medidas contra o aquecimento global e a emissão humana excessiva de gás carbônico.

(Fonte: Folha Online)

sábado, 28 de novembro de 2009

Menos carne e mais bicicletas


Menos carne e mais bicicletas ajudam clima e saúde, mostra revista “Lancet”

A redução de 30% da produção e do consumo de carne entre os principais produtores, associada a avanços tecnológicos, pode reduzir sensivelmente as emissões e o número de doenças cardíacas, mostra estudo na revista científica britânica “The Lancet”.

Ela contextualiza, dizendo que a agricultura e a alimentação representam de 10% a 12% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa.

O estudo faz parte de uma série publicada na “The Lancet” em função da aproximação da Cúpula de Copenhague, que acontece entre 7 e 18 de dezembro. A iniciativa antecipa os benefícios para a saúde e clima de ações que podem ser adotadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Ciclistas

A revista mostra também que preparar as cidades para pedestres e ciclistas pode ajudar mais a reduzir o impacto para a saúde do que incentivar a fabricação de carros menos poluentes.

A reformulação dos transportes nas cidades de Londres e Nova Déli mostrou que, quanto mais espaços para pedestres e bicicletas, menor o número de doenças cardíacas e de acidentes vasculares cerebrais.

A redução de parte da eletricidade produzida a partir de energias fósseis (gás, carvão e petróleo) teria um duplo benefício, para o clima e para a saúde humana, reduzindo a poluição do ar.

Adotando como hipótese uma trajetória de divisão por dois das emissões mundiais de CO2 até 2050, os estudos analisam o impacto para a saúde em cada país.

O efeito mais acentuado seria na Índia, onde, no melhor dos casos, se poderia evitar 93.000 mortes por câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e cardiorrespiratórias em 2030 em relação a um cenário sem esforço específico.

Reconhecimento

“Os políticos com poder de decisão custaram a reconhecer que o verdadeiro problema da mudança climática está no risco de afetar a saúde humana e a qualidade de vida”, disse a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) Margaret Chan.

“A desnutrição e seus efeitos devastadores sobre a saúde das crianças vai aumentar”, destacou, incluindo os arriscados aumentos de temperatura entre idosos, destacou.

“Além disso, a mudança climática pode modificar a distribuição geográfica dos vetores das doenças, entre as quais os insetos que transmitem a malária e a dengue”, advertiu.

Fonte: FOLHA

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mais um estudo óbvio


Comer menos carne ajuda o planeta e o coração, afirma estudo

Passar por cima da terceira porção de carne assada, salvar o planeta e fazer um favor ao seu coração, simultaneamente.

Esse é o conselho de Alan Dangour, da London School of Hygiene and Tropical Medicine e colegas que, juntos, exploraram o potencial da indústria do gado no Reino Unido, a fim de ajudar a reduzir as emissões de carbono pela metade até 2030, em relação aos níveis de 1990, além de fazer uma avaliação sobre os efeitos na saúde da nação.

Eles descobriram que a indústria poderia reduzir as suas emissões, mas apenas se o gado consumido e produzido no Reino Unido fosse reduzido em 30%. Fazendas também poderiam otimizar a eficiência energética, por exemplo, capturando carbono em adubos.

Os cortes nos gastos de saúde seriam consideráveis: 18 mil pessoas deixariam de morrer prematuramente em decorrência de ataques cardíacos --uma redução de 17%--, assim como haveria menos ingestão de gorduras saturadas, tipicamente encontradas nas gorduras da carne.

Os efeitos não se limitariam apenas às nações ricas. A equipe descobriu que o Brasil poderia alcançar os mesmos benefícios de saúde. "Nós não estamos dizendo para que sejam vegetarianos, estamos falando em reduzir a quantidade de produção e de consumo", diz Dangour. A poupança poderia ser ainda maior, se as taxas de morte por câncer colorretal e obesidade forem incluídas, diz ele.

O agrônomo Kenneth Cassman, da Universidade de Nebraska, alerta que o corte na produção em uma região pode impulsioná-la em outro lugar, causando o efeito reverso: um aumento nas emissões globais.

"Reduzir a produção de produtos de origem animal em um país desenvolvido como o Reino Unido faz pouco para influenciar as tendências mundiais na produção e consumo, onde a maior parte do aumento na demanda, daqui e até 2050, virá de países em desenvolvimento", diz ele.

Folha online

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Primeiro-ministro do Butão cria nova fórmula para calcular riqueza


Felicidade Nacional Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto de um país, defende o primeiro-ministro do Butão, Lyongpo Jigme Thinley. Ele está em Foz do Iguaçu, onde participa da 5ª Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta (FIB), que foi encerrada nesta segunda-feira (23/11).

Pequeno país budista da Ásia, situado na Cordilheira do Himalia, o Butão está atraindo a atenção de governantes e economistas de vários países com sua nova fórmula para o cálculo de riqueza e desenvolvimento. “Quando o Poder Público articula políticas públicas, algumas questões são fundamentais. Desenvolvimento é ser feliz, caso contrário não é desenvolvimento. É preciso articular em conjunto o bem-estar psicológico, o uso do tempo, a vitalidade da comunidade, a cultura, saúde, educação, diversidade do meio ambiente, o padrão de vida e a governança”, explica o primeiro-ministro.

Líder do primeiro governo democraticamente eleito no país, Thinley disse que a adoção da FIB como forma de medir a prosperidade e a felicidade de seu povo fez parte de sua campanha à eleição no ano passado. Lembrou que o termo FIB foi criado em 1972 pelo rei butanês Jigme Wangchuck, na época com 16 anos, “para se contrapor às medições puramente materiais do PIB” - a soma de serviços e bens produzidos em determinado período.

Entretanto, sua aplicação como prática de governo começou este ano, quando outros países se interessaram por essa nova forma de gerir seus recursos. A psicológa e antropóloga Susan Andrews é a coordenadora do FIB no Brasil. Fundadora do Instituto Visão Futuro, ela coordena o projeto pioneiro na periferia de Itapetininga (SP), numa parceria com a prefeitura municipal. “São aplicados questionários que relacionam os indicadores do FIB com os moradores. Normalmente, o que percebemos é que até certo nível é importante a base material, mas chega um ponto em que os bens materiais não são mais indicadores para a felicidade”, ressaltou.

O que o ser humano realmente aspira ao longo de sua passagem pela terra é a felicidade, concordam os participantes do congresso. O consenso é de que houve tempos em que a economia era orientada para o bem comum, a felicidade humana, ou seja, a economia era serva do homem. Depois, na modernidade, o homem passou a ser servo da economia. De acordo com material divulgado pelos organizadores, atualmente, o próprio criador do índice PIB, Simon Kuznetz, Prêmio Nobel de Economia, compreende que essa prática não é boa e precisa de revisão.

Em sua palestra, Jon Hall, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), diz que a crise econômica internacional tem levado diversos países a revisar seus conceitos sobre desenvolvimento. Entre eles estão o Canadá, a França, Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Espanha, Hungria, África do Sul, Tailândia e Coreia do Sul, e o grupo segue crescendo. “Não necessariamente os países devem adotar a metodologia que o Butão desenvolveu. O importante é que as pessoas se reúnam e discutam maneiras de avaliar o progresso de suas comunidades, organizações e países, para que sejam adotadas as políticas públicas”.

(Agência Brasil)

sábado, 21 de novembro de 2009

Calor escaldante na Austrália





Faz calor no sul da Austrália durante mais de uma semana... mais de 44°C cada dia, muito seco.

Nunca visto antes, os koalas pedem água aos ciclistas!!!
Um homem que vive em Maude, recebeu estas fotos da sua mulher.

Um pequeno Koala veio até o alpendre da parte de trás da casa, para obter um pouco de sombra e ficar ao abrigo do calor.

A mulher encheu uma bacia de água e olhem o que aconteceu...

As imagens nos mostram claramente o que REALMENTE ESTÁ ACONTECENDO COM O PLANETA!
O consumo EXCESSIVO e o desenvolvimento INSUSTENTÁVEL, resulta neste aquecimento global que afeta a TODOS!

Inclusive essas criaturas, que ANTES se mantinham em HARMONIA com a natureza!!!

REFLETIR É PRECISO! AGIR, É IMPRESCINDÍVEL!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"A carne das fazendas americanas é imoral"


"As fazendas de gado tratam os animais de maneiras
que seriam ilegais se fossem aplicadas a cães ou gatos"


O menino Jonathan Safran Foer tinha 9 anos quando se deu conta de que o frango servido com cenouras em seu prato, receita favorita preparada por sua avó judia que sobrevivera ao nazismo, era feito de uma ave que dias antes estava viva. A revelação, feita por uma babá vegetariana, transformou sua maneira de encarar a comida. De lá para cá, Foer virou vegetariano e voltou a comer carne várias vezes, por vários motivos – do princípio ético ao desejo por belas garotas engajadas na proteção dos animais. A gangorra alimentar parou quando, perto dos 30 anos e já autor de um best-seller premiado, ele se tornou pai. Ele não queria que as memórias alimentares que seus filhos carregariam por toda a vida tivessem o mesmo sabor animal das suas. Foer resolveu então abandonar a carne em definitivo e começou a escrever sobre o assunto. Seu exercício filosófico resultou no livro Eating animals, recém-lançado nos Estados Unidos e ainda sem tradução para o português.

Para os americanos, como para os brasileiros, comer carne é uma paixão. Só em 2009, de acordo com Foer, eles digeriram 12 milhões de toneladas de carne de vaca, além de porco e aves em quantidades igualmente gigantescas. Mas a criação do gado americano é diferente da nossa. “As fazendas de gado brasileiras não são como as americanas”, disse Foer a ÉPOCA. “Os animais aí ainda pastam, ainda são criados de maneiras que a maioria das pessoas aceitaria.” Lá, não. A criação intensiva de animais e seu abate industrial são descritos no livro de modo nauseante. Entre as descrições mais impressionantes de suas visitas às fazendas está o confinamento de perus numa granja forrada com camadas sobre camadas de fezes acumuladas, em que os gases de amônia causam feridas na pele e nos pulmões das aves. Ou o “caldo fecal” em que frangos são mergulhados antes do abate para engolir água (suja) e ficar mais pesados – prática que seria uma das causas dos crescentes casos de contaminação pela bactéria Escherichia coli. São condições de vida que, diz Foer, seriam consideradas ilegais se aplicadas a cães ou gatos. Segundo seu relato, os animais das fazendas americanas consomem quase dez vezes mais antibióticos que os seres humanos. Em alguns momentos, o leitor pode pensar em parar de comer carne não por amor aos animais, mas por nojo e medo de adoecer.

Continue lendo aqui o artigo da revista Época.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A culinária vegetariana dos mosteiros zen budistas


Shôjin Ryôri, a culinária típica dos mosteiros zen budistas, tem o sentido de nutrição, saúde e força espiritual para os monges e praticantes de zen. É esse o tema abordado pela Monja Gyoku En em seu primeiro livro, O Zen na cozinha (Editora CLA, Coleção Sustentar, 128 páginas, R$ 30,00). Seguindo os ensinamentos do Mestre Dôgen – que no século 13 criou no Japão o Tenzô Kyokun (“Instruções ao cozinheiro Zen”) –, a monja brasileira mostra que o coração da culinária Shôjin está na maneira de cozinhar, na apresentação dos pratos – simples porém refinados –, e na redução do desperdício. Com um texto leve, a autora apresenta dezenas de receitas e lembra que mais do que técnica, o importante é a atitude do espírito. O ato de cozinhar pode ser uma meditação, com atenção, respeito e reverência zen por toda forma de vida.

A culinária Shôjin

Nenhuma carne, peixe, ovos ou derivados do leite entram na cozinha Shôjin, mas todos os outros ingredientes são bem-vindos. Para preparar uma refeição Shôjin em casa basta cozinhar com concentração e seguir alguns princípios, como usar ingredientes frescos, respeitar seus sabores e temperar levemente. Cada item é preparado de forma muito especial para ativar a energia dos alimentos, revelando seu agradável aroma, seu paladar único, suas texturas e cores. O açúcar é usado com parcimônia, apenas para arredondar o sabor, e o óleo vegetal entra em pequena quantidade ou em ligeiras frituras. A proteína de base é a soja, que forma um par perfeito com o arroz.

A culinária Shôjin utiliza basicamente cinco métodos de cozinhar – ferver, grelhar, fritar, cozinhar no vapor, deixar cru. Quando se trata de cozimento, a maioria dos pratos é preparada em fogo brando. Nunca se cozinha demais, pois a idéia é servir o alimento al dente – crocante, saboroso e quase cru –, propiciando sabor e textura com alto valor nutricional.

A cozinha Shôjin valoriza as variações do sabor: picante, ácido, amargo, doce, salgado e neutro. Cada alimento tem sua função dentro do metabolismo. Uns estimulam e dão força, tonificando. Outros apaziguam as funções exacerbadas, harmonizam, sedam.

Para que os pratos tenham um equilíbrio é necessário que os seis sabores e as três virtudes – suavidade/leveza, nitidez/frescor e cuidado/ precisão – estejam presentes. As três virtudes dependem da atitude do cozinheiro na relação com os alimentos.

Importante também para o equilíbrio das refeições é o uso das cores básicas – amarelo, branco, verde, vermelho, preto ou roxo e marrom – e a quantidade de alimento servido. Cada prato vem em pequenas porções, o que evita excessos e sobras.


Exemplo de receita


Masu no age-ni – berinjelas ao molho de gengibre

Ingredientes:

- 4 berinjelas médias

- 8 pimentões pequenos verdes

- 3 pimentas vermelhas picantes ou secas

- 1 e ½ xícara de caldo dashi (caldo essencial que serve de base para toda a comida Shôjin, que pode ser feito com algas marinhas, cogumelo shiitake ou vegetais.

- 2 colheres (sopa) de açúcar

- 3 colheres (sopa) de molho de soja

- 1 ½ colher (sopa) de mirin

- óleo vegetal para fritura

Como fazer


Retire as cascas das berinjelas e corte-as ao meio no sentido do comprimento. Depois faça 3 ou 4 incisões ligeiras em sentido oblíquo. Corte os pimentões e as pimentas vermelhas em 3 pedaços. Coloque duas colheres de sopa de óleo vegetal em uma caçarola, frite em fogo alto até dourar, primeiro as berinjelas, depois os pimentões e as pimentas. Retire-os da fritura e reserve. Em outra caçarola, junte o caldo dashi, o açúcar, o molho de soja e o mirin. Deixe esquentar e junte os pimentões verdes, as pimentas e as berinjelas, deixando cozinhar por mais 2 minutos.

Sirva em pequenos pratos regados com o molho e salpicados com gengibre.

Fonte: www.vegetarianismo.com.br

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O consumismo inconsciente das crianças


“Lacan assume que o inconsciente se estrutura como uma linguagem, como uma cadeia de significante latente que se repete e interfere no discurso efetivo, como se houvesse sempre, sob as palavras, outras palavras, como se o discurso fosse sempre atravessado pelo discurso do Outro, do inconsciente.” - Fernanda Mussalim (2006)

“Vivemos fazendo e ouvindo discursos. Muitos deles desiguais, superiores, repressores. “A classe dominante, para manter sua dominação, gera mecanismos que perpetuam e reproduzem as condições materiais, ideológicas e política.” - Althusser (1970).

A prática social, através dos aparelhos ideológicos, carrega em si a desconstrução de um modelo de representação de valores e poder em cima das classes menos favorecidas. Daí a relevância de se estudar gêneros textuais específicos da mídia, como a propaganda para o público infantil, que pode ser argumentada pela condição promocional da cultura contemporânea, que estabelece uma estreita ligação entre a publicidade, valores sociais e o papel ideológico da mesma. A propaganda possui um discurso persuasivo, tentando manipular as pessoas, nesse caso as crianças, para comprarem um estilo de vida além de sua realidade.

Atualmente é nítido o desinteresse das crianças por aquilo que lhes seria genuíno; O brincar passa a ser um hábito e o consumo exibicionista chega ao ápice da diversão.

A televisão é um meio em que a publicidade mais atinge as crianças, e a dificuldade dos pais driblarem a sedução dos anúncios voltados para o público infantil gera polêmica. Em todo o mundo há instituições voltadas para combater abusos até quem defenda a proibição desses comerciais, é o caso da ONG Instituto Alana. Segundo a Presidenta, Ana Lucia Villela, “as crianças ainda não conseguem criar um juízo de valores sobre o que veem na televisão. Até os seis anos de idade elas não sabem o que é comercial ou programa.”

Todavia, para que uma propaganda possa melhor convencer uma pessoa a comprar algo do que ela não necessita, ela é, em sua maioria, formada por um texto cuidadosamente selecionado em seus componentes lingüísticos e em seus componentes visuais. Assim devemos avaliar melhor o que lhe está sendo oferecido, mas como fazer com que uma criança faça distinção quando seu super herói está a frente da própria mensagem e que até os seus primeiros seis anos de vida elas não sabem distinguir, como afirma a Presidenta do Instituto Alana em São Paulo.

Sabe-se que é muito mais fácil fixar um hábito durante a infância, já que é nesta fase que a percepção está sendo estruturada tornando-se também mais difícil modificar algo assimilado nesse período. Hoje, enquanto a criança cresce se estrutura, sua percepção do consumo como o grande prazer, gozo maior que o brincar, o aprender com a experiência, o construir seu conhecimento com o mundo da vida, das relações dialógicas, verdadeiras.

Com isso, as propagandas têm inovado sua apresentação de forma abusiva. A maneira que apelam para se obter a atenção de um possível consumidor é que prejudica a saúde, e o desenvolvimento do caráter, personalidade e auto-elevação de consumo.

A cada dia vemos nos intervalos dos programas de TVs, pontos de ônibus, lanchonetes, bancas de revistas, outdoor, concessionária de veículos, shoppings, etc.- Mas, nosso foco é a televisão -, fazendo propagandas para chamar a atenção dos consumistas e, com maior intensidade, às crianças.

O discurso é usado como veículo para vender produtos, idéias, serviços, pessoas. Além disso, tudo que as empresas precisam naquele momento é atingir seus objetos, ou seja, o de “vender”.

Lacan (2002) mostrou que o inconsciente se estrutura como a linguagem. O inconsciente é o discurso do outro, assim o desejo é o desejo do outro. Sendo dessa forma, há publicitários que, para criar suas peças, usam resultados de uma “testagem” que revela entre outros dados, desejos irrefletidos nas crianças, com estruturas levianas sobre as quais se movem. E com elas a publicidade trabalha na formulação dessas peças, numa ligação do inconsciente com o prazer que o produto irá remeter à criança.

A garotada aprende que só será reconhecida como parte desse universo, que é o imaginário construído, a partir de um hábito adquirido pelos veículos de comunicação, se adquirir esses produtos. As sensações de “pertencimento”, necessárias para a construção de sua identidade, passam pela incorporação, em seu funcionamento mental, de aspirações homogêneas e do padrão de consumo que as atende.

Precocemente a meninada é induzida a crer que os produtos de grife são sua identidade. Com essas marcas, como segunda pele, elas se sentem poderosas, meninas e meninos se tornam assim, propagandas sem custo, como outdoors ambulantes.

Fantasias de completude, idéias de poder, domínio de ter acesso ao que o outro não pode ter, do que essa criança vale é o que acontece nesta maneira de viver. A vontade fala mais alto que a necessidade.

Para alguns falta o presente, pois em seu mundo mental o objeto de desejo é o ser consumível. Observamos, por exemplo, que em algumas escolas de classe média alta, as crianças já mostram status uma com a outra.

Segundo a psicanalista Ana Olmos (2009), “as crianças, sem perceberem, consomem para dizer ao outro sobre elas próprias, para dizer para elas próprias quem são”.

Difícil é negar um pedido de uma criança, principalmente se esta é nosso filho. Tiramos dinheiro do bolso pra comprar aqueles montes de presentes, pouco úteis e que em poucos meses vão ser largados nos cantos da casa para serem substituídos por outros.

Uma emissora de TV Inglesa constatou que, por algum motivo, as propagandas veiculadas pela manhã têm impacto sobre o cérebro. As pesquisas também estão descobrindo que as propagandas podem ter efeito oposto ao que pretende, mas a verdade é que o consumo do público infantil vem aumentando.

Crianças é alvo fácil e de grande consumo, por isso, as empresas de publicidades estão investindo mais nos horários diurnos, onde o maior índice de programas voltados para esse público é bem maior. É pela manhã que aparece seu super-herói na tela e não no horário nobre.

As propagandas existem para influenciar pessoas, pensamentos e seu comportamento de acordo com o interesse do patrocinador. O segredo delas é o envolvimento emocional que elas tentam proporcionar a seu público-alvo, e aplicar estas técnicas é relativamente fácil.

Os propagandistas descobriram também, que a falta do convívio dos pais com os filhos, está diretamente ligada ao consumismo exacerbado das crianças. Eles, os pais, passam a realizar tudo o que seu filho deseja desde uma marca de celular a um delicioso hambúrguer.

Como atender então essas demandas ilimitadas se os nossos recursos são escassos? Isso mesmo, a nossa grana é curta e nada adianta ganhar um sorriso infantil se o cheque especial está no vermelho e o rotativo do cartão de crédito não mais pode ser usado, ou se o nosso plano de previdência anda de dieta há vários meses. Por outro lado recusar a compra de qualquer produto licenciados por personagens infantis acabaria dando um mal-estar muito grande com os garotos.

Dá um basta radical para esses apelos infantis não é a melhor saída. Uma sugestão do Economista Mauro Halfeld e colunista da Revista Época e da Rádio CBN “é fazer um bom acordo com as meninas e os meninos. Usar um desses produtos que eles querem adquirir como recompensa para as missões importantes, como por exemplo, um excelente resultado na escola, ou uma bela arrumação no quarto. Não estabelecer missão fácil e fugir dos prêmios mais caros”. Seria uma ótima opção para acabar com o consumismo exagerado dessa nova geração.

As crianças querem usar roupas de grife, tênis de marca, porque neles estão expressos, embora que simbolicamente, a que meio social pertence, ou que a ele deseja pertencer, tudo isso pautado no consumismo. É como se fosse uma áurea que envolve o produto. Por que nesse jogo de interesse as crianças crescem com um novo pensamento, com novas ideologias, elas deixam de “Ser” para “Ter” e passam a “Ter” para “Ser”.

Fonte

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Instituto Serrano de Conservação da Natureza


O Informativo O Charão nr 4 do Instituto Serrano de Conservação da Natureza já está disponível na versão colorida no site www.institutoserrano.org.br ou pode ser baixado aqui. Esta edição, além de posicionar nossos associados, parceiros e amigos sobre o Instituto Serrana e seus projetos, contém uma matéria sobre o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação e outra sobre a Reserva Rio das Furnas, uma área particular destinada à conservação da natureza, e a parceria da mesma com uma ONG e um grupo de empresas privadas. Desejando boa leitura, pedimos a gentileza de nos ajudar a divulgar nosso informativo.

Um forte abraço
Jordan P. Wallauer
Presidente do Instituto Serrano

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Fosfateira: por que não?

(Depósito de rejeitos de uma fosfateira)

por Samantha Buglione

A fosfateira no rio do Pinheiro, em Anitápolis/SC, foi eleita como a jazida que irá abastecer de fosfato toda demanda de fertilizantes, além de prover empregos necessários para uma região carente do Estado de SC. Ou seja, uma iniciativa importante para trazer o progresso. Emprego é uma palavra mágica. Argumento quase religioso para permitir qualquer ação política que tenha consequências pouco ponderadas a médio e longo prazo.

O que não é dito, porém, é que a região onde será instalado tão benéfico empreendimento está próxima às nascentes do rio Braço do Norte. Região composta, portanto, por inúmeras famílias de pequenos proprietários que praticam a agricultura familiar e orgânica (que, por sinal, dispensa esse tipo de fertilizante e tem ótima empregabilidade).

Os municípios de Santa Rosa de Lima, Anitápolis, Rio Fortuna e Braço do Norte são responsáveis por uma considerável fração da produção hortigranjeira catarinense. Inclusive a produção de orgânicos é a que mais cresce junto ao mercado consumidor, principalmente internacional.

Apesar das iniciativas contrárias da mídia, as pessoas estão se informando cada vez mais e não é todo mundo que está disposto a consumir produtos com agrotóxicos ou que promovam o desgaste da terra e poluição da água. Além disso, para ser instalada, uma barragem será construída no rio Pinheiros e 247 hectares (equivalentes a 350 campos de futebol) de mata atlântica serão suprimidos. Isso sem falar na água necessária para o funcionamento da empresa.

A exploração da jazida de fosfato em Anitápolis tem um impacto tremendo que faz com que a suposta geração de emprego e impostos seja o menor deles. Os custos ambientais e de saúde reverterão gastos para o Estado (para todos, portanto) em que, ao fim e ao cabo, zerarão ou tornarão negativos os supostos ganhos econômicos da região.

A Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) tem, em seu site, informações muito úteis que não foram em nenhum momento mencionadas no relatório de impacto ambiental apresentado pela Bunge/Yara. Uma delas é de que a exploração de jazidas de fosfato similares nos EUA resultou em contaminação por radioatividade e metais pesados nos lençóis freáticos e na atmosfera. Isso porque para a produção de uma tonelada de ácido fosfórico é necessária a produção de quatro toneladas e meia de um subproduto chamado sulfato de cálcio, que vem acompanhado de altas concentrações de radionuclídeos.

Ao longo do processamento do fosfato, quantidades imensas de sulfato de cálcio são depositadas em montes que a mineradora chama de “rejeito” e que as empresas divulgam como sendo material que não será usado. Os radionuclídeos são partículas que ficam livres no ar e na poeira. Podem ser respirados pela população e ser depositados na agricultura, e lagos e rios locais.

Se a preocupação do poder público é gerar empregos, sugiro investir em isenção fiscal para a produção de orgânicos e agricultura familiar, a exemplo da recente ação do governador Luiz Henrique para ajudar os produtores de suínos do Estado.

Uma política pública responsável é aquela capaz de pensar benefícios a curto, médio e longo prazo. Não se preocupar com resíduos, lixo e uso de água, de determinada iniciativa, é, no mínimo, razão de responsabilidade civil. O custo para a saúde dos moradores da região deve ser uma preocupação do poder público, salvo se os compromissos assumidos sejam com outros grupos que não com a sociedade catarinense.

Aí o esforço em trazer uma empresa como essa para Anitápolis se explica. Empresa, inclusive, que não consegue no seu país de origem desenvolver iniciativa semelhante. Será que os noruegueses não estão interessados nas divisas possíveis da Bunge/Yara? Ou eles percebem que o custo-benefício não é tão atrativo? Nunca há uma única alternativa para resolver os problemas sociais de uma região. O inaceitável é que a alternativa eleita seja uma que traga mais prejuízos que soluções.

Fonte: Banco do Planeta

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A conta da boiada nas emissões


Se comparada a emissões de combustíveis fósseis como petróleo e gás natural, a poluição provocada pelo rebanho mundial representa 51% das emissões anuais oriundas de atividades humanas. É o que mostra uma análise divulgada esta semana por Robert Goodland and Jeff Anhang, especialistas do Banco Mundial.

Segundo eles, a contribuição dos rebanhos para o aquecimento global sempre foi conhecida, mas era freqüentemente subestimada. Também afirmam que substituir boiadas e assemelhados por “melhores alternativas” terá efeitos mais rápidos nas ações climáticas do que trocar combustíveis fósseis por energia renovável.

Em parte, porque arrotos e puns de ruminantes liberam gás Metano, 21 vezes mais poderoso que o Dióxido de Carbono quando o assunto é esquentar o planeta. No entanto, o tempo médio de vida do primeiro poluente na atmosfera é de oito anos, enquanto que do segundo é de pelo menos um século.

Goodland e Anhang também comentaram que o desmatamento de florestas para abertura de pastagens é outra fonte de emissões atrelada aos rebanhos que costuma ser esquecida. Matas estocam em média 200 toneladas de carbono por hectare, enquanto pastos apenas oito toneladas por hectare, disseram. Mais informações (em inglês) aqui.

Conforme os números divulgados esta semana pelo Ministério do Meio Ambiente, as emissões do rebanho brasileiro subiram 25% entre 1994 e 2007. Mato Grosso é o estado com o maior número de cabeças de gado, são 26 milhões.

O Eco

terça-feira, 3 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

É preciso comer menos carne para salvar a Terra?


Os diálogos com Fabrice Nicolino estão publicados no Le Monde, 16-10-2009. A tradução é do Cepat.

ours: De que modo a produção de carne tem consequências sobre a mudança climática?

Fabrice Nicolino: É uma questão complexa, mas dispomos de um documento oficial, institucional, um enorme relatório de 2006 da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), da ONU. De fato, trata-se de uma análise global de todo o ciclo da produção pecuária no mundo. Não somente dos animais, mas a sua alimentação, os meios de transporte utilizados [para levá-los aos frigoríficos]. Esse relatório estima que todo o gado mundial emite 18% de gás de efeito estufa de origem humana, e esse total é superior àquele que diz respeito aos transportes utilizados pelos seres humanos (carros, navios…).

Pharell_Arot: Bom-dia. Sendo um aficionado por carne, eu me pergunto sobre as condições a serem adotadas para conjugar os prazeres alimentares e o desenvolvimento sustentável. Quais são, para você, as precauções que um consumidor médio pode tomar imediatamente?

Fabrice Nicolino: A primeira coisa é lembrar que o consumo de carne na França foi multiplicado aproximadamente por 4 desde a segunda Guerra Mundial. Nós comemos muita carne, por razões econômicas e políticas. Eu realmente não tenho conselho a dar. Minha opinião é que podemos comer muito menos carne, comer uma carne de melhor qualidade. Pessoalmente, eu como carne, mas cada vez menos, e é carne biológica, porque nesta maneira de produzir está proibido o uso em grande quantidade de produtos medicinais e químicos.

Pharrell-Arot: Há consumos de espécies menos perigosas que outras para o planeta? A de porco, por exemplo?

Fabrice Nicolino: O pior transformador de energia é o boi. Quanto menos vegetais um animal consumir, menos o seu consumo é prejudicial para os equilíbrios do planeta. E desse ponto de vista, há uma certa hierarquia que vai do frango ao boi passando pelo suíno. O menos mal é o frango.

Herve_Naturopathe: Há um lobby francês dos frigoríficos/criadores tão importante quanto nos Estados Unidos?

Fabrice Nicolino: Realmente creio que não. Existe um lobby da carne industrial na França, poderoso, mas que não tem nada a ver com a extraordinária importância que a “carne” tomou nos Estados Unidos. Nesse país, há uma história apaixonante por trás do lobby da carne. Um notável livro, La Jungle, publicado em 1906 por Upton Sinclair, descreve o universo dos matadouros de Chicago. É um livro belíssimo.

Nos Estados Unidos, o lobby é realmente muito poderoso; secretários de Estado da Agricultura, especialmente na presidência de Reagan, eram ex-industriais da carne. Sob as Administrações republicanas, mas não apenas, há uma espécie de consanguinidade entre políticos e o lobby da carne.

Voltando ao caso da França, sim, existe um lobby da carne, que é representado pelo Comitê de Informação das Carnes, que tem relações estreitas com a indústria da carne, seguramente, mas também com o aparelho do Estado, o Ministério da Agricultura e o maior sindicato patronal de agricultores, a FNSEA.

Romain: Que alimentos podemos utilizar para substituir a carne vermelha em matéria de contribuição nutricional e de sabor?

Fabrice Nicolino: Não há resposta para esta questão… O sabor da carne vermelha é o sabor da carne vermelha. Eu não saberia dizer o que poderia substituir o seu sabor. No plano nutricional, por mais curioso que possa parecer, um grande número de estudos mostra que os regimes vegetarianos ou os regimes extremamente pouco carnívoros são os melhores para a saúde humana. Eu cito rapidamente um nome, conhecidíssimo nos meios da nutrição: é um norte-americano que se chama Colin Campbell. Ele conseguiu fazer um estudo comparativo da alimentação entre, de um lado, os cantões chineses e, do outro, os condados americanos. Um imenso estudo que durou vinte anos. Ele observa que o regime chinês, amplamente baseado numa dieta de vegetais, é infinitamente melhor para a saúde.

cocoparis: Você acha que é preciso reduzir também o nosso consumo de leite?

Fabrice Nicolino: É um debate aberto e inclusive no plano científico. O que é certo é que o hiperconsumo de leite, que caminha paralelamente à industrialização da pecuária, é muito nefasto à saúde humana. Passamos de vacas bem alimentadas que produziam, em 1945-1946, em torno de 2.000 litros de leite por ano a vacas que dão 8.000, 10.000, inclusive 12.000 litros por ano.

Está claro que quando se produz estas quantidades de leite, é preciso que esse leite seja consumido na sequência. É preciso que as pessoas o bebam. Há nisso uma lógica de ferro muito constrangedora. Se é produzido, necessita de um mercado, necessita de saída. No campo da saúde, o leite não é um alimento tão bom quanto se acreditava ou se fazia crer durante muito tempo.

Apis88: Atualmente, está claramente demonstrado que os países que se enriquecem veem o consumo de carne por habitante aumentar. Esta constatação pode ser invertida?

Fabrice Nicolino: É uma questão decisiva, uma questão chave. Existe um modelo de consumo de carne, o modelo ocidental, baseado sobre um consumo muito grande de carne. Ora, a produção de carne necessita de quantidades industriais de cereais. E as áreas agrícolas no mundo não podem ser ampliadas ao infinito. Muitos agrônomos de primeira linha se perguntam como se poderá, nos próximos anos, satisfazer este impressionante aumento da demanda de carne nos países chamados emergentes, no topo dos quais está a Índia, mas sobretudo a China, onde 200 milhões ou 300 milhões de chineses reclamam carne, porque pela primeira vez eles têm dinheiro para comprá-la e querem unir-se ao modelo ocidental.

O problema é que as terras agrícolas que permitiriam alimentar esse gado estão em falta, e parece extremamente difícil encontrar novas áreas sobre a Terra assim como está. O que eu quero dizer é que na minha opinião o modelo de consumo de carne praticado entre nós não é de maneira alguma generalizável a todo o planeta. Dito de outra maneira, me parece altamente provável que será preciso rapidamente se colocar a questão central, fundamental, do nosso modelo alimentar. Sem isso, poderemos sem dúvida passar do atual bilhão de esfomeados crônicos para talvez dois bilhões ou três bilhões em 2050.

br: Você acha que os políticos, em sua resposta à crise agrícola atual, vão levar em consideração esse fenômeno?

Fabrice Nicolino: Claramente, não, não, não e não. Vou fazer um paralelo com a situação da França em 1965. O ministro da Agricultura do General de Gaulle chama-se Edgard Pisani. Em 1965, este fez uma turnê triunfal pela Bretanha, e declarou, sob aplausos: a Bretanha deve tornar-se uma fábrica de leite e de carne da França. É muito importante, porque vemos bem que os políticos seguem, evidentemente, objetivos, mas que por definição são objetivos políticos. Ora, nós estamos em vias de falar de questões de outra natureza, que reclamam decisões muito mais refletidas, muito mais pensadas, sobre um prazo muito maior que o tempo dos políticos. Eu acrescentaria que a ecologia, a crise ecológica e tudo o que a ela estiver associado vai impor visões, pontos de vista, decisões para as quais a classe política, de todos os espectros ideológicos, da extrema direita à extrema esquerda, não está preparada.

GrandGousier: De acordo, é preciso deter esta orgia de carne, por todas as razões inventariadas em seu livro. Mas, por onde começar? Na França, quais seriam as primeiras ações a serem tomadas, os primeiros objetivos a serem fixados?

Fabrice Nicolino: Eu não estou aqui para dar lições a quem quer que seja. Mas como pessoa, eu penso que seria bom unir-se à construção de um movimento de consumidores como nunca se viu. Eu penso, na linha do que acabo de dizer sobre a classe política, que apesar do seu interesse e de sua valentia, os movimentos de consumidores que existem na França, por exemplo, a UFC-Que Choisir [União Federal de Consumidores, associação francesa de consumidores] ou 60 milhões de consumidores, exprimem em grande parte preocupações de outro tempo. Eu penso que seria útil e necessário para todos que nasça um movimento de consumidores que integre a crise ecológica, que é fundamentalmente uma crise dos limites físicos. E esse movimento, quando aparecer, provavelmente lançará ações coletivas contra a carne industrial. Para mim, este movimento passará necessariamente por formas de boicote.

Herve_Naturopathe: Ser “consommacteur” [consumidor comprometido] não seria a resposta? Consumir com reflexão e respeito…

Fabrice Nicolino: Seguramente. Mas a questão é quando e como, porque já tivemos movimentos. Eu lembro do boicote dos hormônios para os terneiros em 1980, movimento lançado pelo UFC-Que Choisir. O consumo da carne de terneiro foi dividida por 6 ou 8, era muito impressionante. E o sistema se adaptou, pois se reforçou. Portanto, a questão é realmente saber como encontrar uma eficácia frente a uma indústria que está unida por fios a todos os poderes estabelecidos, quer sejam administrativos, políticos, industriais, sindicais. É uma questão que eu aplico a mim mesmo: como tornar-se “consumidor comprometido” realmente e não apenas nos propósitos.

hadadada: No futuro, deveremos parar totalmente de consumir carne?

Fabrice Nicolino: Eu não vejo esse ponto no horizonte da minha vida. Em todo o caso, eu descobri, ao escrever o livro, que se pode viver sem comer carne. Eu realmente a ignorei. Eu creio que durante muito tempo fizemos chacota dos vegetarianos e que julgávamos, às vezes contra todas as evidências, que sua saúde era muito ruim. Alguns lobistas de que falo no meu livro lembram, para desqualificar os vegetarianos, que tanto Hitler como Jules Bonnot, o anarquista, foram vegetarianos. O que eu constatei é que se pode viver sem comer carne. Devido aos grandes equilíbrios e para enfrentar os grandes problemas que estão diante de nós, a começar pela fome, me parece vital que mudemos novamente de regime alimentar e que renunciemos a uma boa parte da carne que ingerimos a cada ano. Mas mais carne, eu não creio absolutamente nisso, eu penso que é uma questão antropológica, que leva a muitas outras. Não estou certo de que a humanidade seja realmente destinada a não mais comer carne.

cocoparis: E o que você tem a dizer aos criadores? Mudar de profissão? Tornar-se cerealistas?

Fabrice Nicolino: É uma questão terrível. Eu gosto dos agricultores. É verdade que eu prefiro os agricultores do Sul àqueles saturados de subvenções do Norte, mas o mundo da pecuária é um mundo em que encontrei um monte de gente boa, mesmo na pecuária intensiva. Mas eu quero ser direto: eu penso que a pecuária industrial está condenada. Eu penso que a França, a sociedade francesa, contraiu uma dívida com os criadores, e uma vez que tudo foi organizado em vista da pecuária industrial, seria insuportável dizer repentinamente aos pecuaristas para que mudem de profissão. Eu penso que se deveria imaginar um plano de transição, um pouco sobre o modelo do plano de transição de saída da energia nuclear na Alemanha. Poderíamos imaginar um plano de transição de 15 anos para permitir uma aterrissagem suave, para permitir a um certo número de criadores uma retirada digna, e para incentivar os mais jovens a se lançar numa pecuária mais respeitosa dos animais, dos equilíbrios naturais, e dos seres humanos que estão no final da cadeia.

Scheatt: As transformações necessárias para um modo de vida mais sóbrio são compatíveis com a organização atual da distribuição e da pecuária?

Fabrice Nicolino: Não, porque é preciso compreender que se trata de um sistema extremamente eficaz em seu registro, muito complexo, muito rodado, que exclui, por exemplo, todo direito dos animais a existir. Eu, com o risco de chocar alguns, sou muito sensível à sorte dos seres humanos, eu sou um humanista, mas considero que os animais têm direito à existência. Eu dediquei o meu livro aos animais mortos sem terem vivido. Num passado remoto, durante 8.000 a 9.000 anos, os seres humanos viveram um companheirismo com os animais, que era sem crueldade, sem violência e sem maus-tratos. Os animais davam sua carne, sua pele, sua força de trabalho, mas eles permaneciam seres vivos, sensíveis.

A indústria transformou totalmente os animais, a quem tanto devemos. Eu lembro que sem a existência dos animais domésticos, não teria havido civilização humana. Passamos a uma situação de industrialização em que o animal tornou-se uma coisa, uma mercadoria, um objeto de troca, de material. Eu creio que esta ruptura na história da nossa relação com os animais tira de nós uma parte considerável da nossa humanidade. Eu creio que esta maneira de tratar este “outro” que é o animal abre as portas para um caminho moral.

(Ecodebate, 31/10/2009) publicado pelo IHU On-line

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Zen e o Meio Ambiente


"Verdade é o que nunca foi escondido. Se você tiver olho, dá para ver à sua frente, está tudo manifestado."
Mestre Tokuda


Não demorou muito para os brasileiros descobrirem o poder de cura das massagens, da fitoterapia e da acupuntura, advindos da medicina búdica. Vários centros e institutos de zen-budismo foram implantados, com o apoio de Tokuda, no País. Atualmente, há sedes em nove cidades e no Distrito Federal. Um desses centros está localizado em Pirenópolis, numa área onde funcionava uma pedreira. Com o objetivo de salvar a área em degradação, seguidores brasileiros do zen-budismo se uniram para angariar fundos e adquirir o terreno, de cerca de 900 hectares, com oito nascentes e oito cachoeiras.

No local, que será transformado em Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN), foi construído um mosteiro budista. “Lá será implantado um centro de estudos de medicina búdica e fitoterapia, aproveitando as riquezas naturais do Cerrado. Será incentivado o turismo ecológico e sustentável.”

Fitoterapia
Em função das dificuldades de importar as ervas medicinais provenientes da China, o monge diz que parte do terreno será aproveitado para cultivar plantas que serão utilizadas pela fitoterapia. “Temos que aproveitar o que a flora do Cerrado pode nos oferecer e incentivar os estudos das plantas da região.”

O local é bastante apropriado para instalação do instituto de medicina búdica, como é o desejo do monge. Contato com a natureza e calma para se fazer meditações contribuem para a cura integrada do corpo e espírito, segundo ele.

Sobre encontrar a paz interior, o monge Tokuda afirma que não é preciso ser uma pessoa iniciada nos estudos do zen-budismo, basta atitudes simples, como, por exemplo, inspirar profundamente pelo nariz durante momento tenso e expelir o ar pela boca. Ao fazer isso cerca de quatro vezes, é possível se acalmar instantaneamente.

Outras atitudes nada complexas ajudam a encontrar purificação e serenidade, segundo o monge. Durante passeio ecológico, por exemplo, ele sugere ficar debaixo da queda de uma cachoeira, permitindo que águas batam sobre o corpo, ou prestar atenção no silêncio de uma caverna escura. Outro conselho do monge ainda mais simples é observar o pôr-do-sol ao lado de pessoas queridas, beleza que, segundo o mestre, faz bem a qualquer um.

Fragmento do artigo Saúde para corpo e alma!

Anitápolis, SC: a batalha contra a fertilizadora continua


Anitápolis (SC) é uma cidade com 3500 habitantes que vivem, principalmente, da agricultura. Um projeto prevê a instalação na cidade de uma fertilizadora mantida por empresas como Bunge e Yara Brasil e, com isso, afetaria, ambiental e socialmente, 21 municípios da região. Em junho deste ano, conversamos com dois representantes da ONG Montanha Viva, que tem empenhado uma luta contra esse projeto.

Entendemos que seria muito mais interessante que o dinheiro fosse aplicado em projetos de fosfato, mas utilizando esterco de porco, porque a agressão ambiental seria muito menor”, apontou o advogado da instituição.

A IHU On-Line voltou a conversar com Eduardo Bastos porque, recentemente, foi expedida uma liminar que visa barrar o projeto para que importantes pontos contemplados por ele sejam revistos. “Nós analisamos o Estudo de Impacto Ambiental do governo federal e o próprio estudo realizado pelo estado de Santa Catarina. Com base nisso, concluímos que muitos são os problemas do licenciamento, e que a competência para licenciar a atividade é do IBAMA e não de outros órgãos, como tem sido feito. Isso em razão da complexidade do dano que pode ser causado por uma eventual poluição, seja ela hemisférica, química ou hídrica, no trajeto em que vai ser desenvolvido os trabalhos da fertilizadora”, disse na entrevista que concedeu por telefone.

Confira a entrevista.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Especialista recomenda vegetarianismo contra mudança climática


O mundo deveria se tornar vegetariano para combater com sucesso a mudança climática, já que o efeito estufa do gás metano liberado por vacas e porcos é 23 vezes mais potente que o do dióxido de carbono, segundo uma das maiores autoridades britânicas no assunto.

Em declarações ao jornal “The Times”, lorde Stern, autor de um relatório sobre a economia da mudança climática encomendado pelo Governo do Reino Unido, disse que a pecuária destinada ao consumo de carne representa “um desperdício de água e contribui poderosamente para o efeito estufa”.

Segundo números da ONU, a produção de carne é responsável por pelo menos 18% das emissões globais de CO2 no planeta. Para esta liberação, contribuem tanto a destruição de florestas para a pecuária extensiva como a produção de ração para animais.

A ONU também já disse que, caso a tendência atual se mantenha, o consumo mundial de carne poderá dobrar até 2050.

Com base nessas informações, Stern propõe que a cúpula sobre mudança climática de Copenhague (Dinamarca), marcada para dezembro, sobretaxe o preço da carne e de outros alimentos que, durante seu processo de produção, são responsáveis pela liberação de uma quantidade significativa de gases estufa.

O especialista britânico, que é vegetariano, prevê ainda que o hábito das pessoas em relação ao consumo de certos gêneros alimentícios mudará até que comer carne se tornará algo inaceitável.

“Acho que é importante as pessoas refletirem sobre suas ações, e isto também tem a ver com o que se come”, diz lorde Stern, ex-economista do Banco Mundial e atual professor da London School of Economics.

Ainda segundo o especialista, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deveria participar pessoalmente da cúpula de Copenhague, já que a liderança americana é extremamente necessária para alcance de um acordo significativo.

“Minha mensagem ao presidente Obama seria a seguinte: ‘Vá a Copenhague, participe com um espírito de colaboração e leve essa mensagem ao povo americano’”, declarou o cientista ao “The Times”.

Fonte

domingo, 25 de outubro de 2009

Greenpeace em Florianópolis


Entre nessa onda!

A Onda Sensorial, instalação montada pela campanha de Oceanos do Greenpeace, estará em Florianópolis, trazendo à reflexão a importância de se proteger nossos oceanos e o que podemos fazer para ajudá-los.

Participe! Leve seus amigos e familiares!

Data: 22 a 25 de outubro de 2009 (quinta a domingo)
Horário: quinta a sábado das 10h às 22h e domingo das 12h às 21h
Local: Floripa Shopping
Rodovia SC-401, 3116 — Saco Grande Florianópolis, SC - (48) 3331.7000

sábado, 24 de outubro de 2009

O individualismo tem ainda futuro?


“Hoje precisamos de uma hiperdemocracia que valorize cada ser e cada pessoa e garanta a sustentabilidade do coletivo que é a geosociedade nascente”, escreve Leonardo Boff, teólogo. Segundo ele, “o arraigado individualismo (dos EUA) projetado para o mundo se mostra absolutamente inadequado para mostrar um rumo para o “nós” humano. Esse individualismo não tem mais futuro”.

Eis o artigo.

Há hoje nos EUA uma crise mais profunda do que aquela econômicofinanceira. É a crise do estilo de sociedade que foi montada desde sua constituição pelos “pais fundadores”. Ela é profundamente individualista, derivação direta do tipo de capitalismo que ai foi implantado. A exaltação do individualismo ganhou a forma de um credo num monumento diante do majestoso Rockfeller Center em Nova York, no qual se pode ler o ato de fé de John D. Rockfeller Jr:”Eu creio no supremo valor do indivíduo e no seu direito à vida, à liberdade e à persecução da felicidade”.

Em finas análises no seu clássico livro “A democracia na América”(1835) o magistrado francês Charles de Tocqueville (1805-1859) apontou o individualismo como a marca registrada da nova sociedade nascente.

Ele sempre foi triunfante, mas teve que aceitar limites devido à conquista dos direitos sociais dos trabalhadores e especialmente com surgimento do socialismo que contrapunha outro credo, o dos valores sociais. Mas com a derrocada do socialismo estatal, o individualismo voltou a ganhar livre curso sob o presidente Reagan a ponto de se impor em todo o mundo na forma do neoliberalismo político. Contra Barack Obama que tenta um projeto com claras conotações sociais como a saúde para todos os estadounidenses e as medidas coletivas para limitar a emissão de gases de efeito estufa, o individualismo volta a ser reproposto com furor. Acusam-no de socialista e de comunista e até, num Facebook da internet, não se exclui seu eventual assassinato caso venha a cortar os planos individuais de saúde. E note-se que seu plano de saúde nem é tão radical assim, pois, tributário ainda do individualismo tradicional, exclui dele todos os milhões de imigrantes.

A palavra “nós” é uma das mais desprestigiadas da sociedade norteamericana. Denuncia-o o respeitado colunista do New York Times, Thomas L. Friedman num artigo recente:”Nossos lideres, até o presidente, não conseguem pronunciar a palavra ‘nós’ sem vontade de rir. Não há mais ‘nós’ na política norteamericana numa época em que ‘nós’ temos enormes problemas - a recessão, o sistema de saúde, as mudanças climáticas e guerras no Iraque e no Afeganistão - com que ‘nós’ só podemos lidar se a palavra ‘nós’ tiver uma conotação coletiva”(JB 01/10/09).

Ocorre que por falta de um contrato social mundial, os EUA comparecem como a potência dominante que, praticamente, decide os destinos da humanidade. Seu arraigado individualismo projetado para o mundo se mostra absolutamente inadequado para mostrar um rumo para o “nós” humano. Esse individualismo não tem mais futuro.

Mais e mais se faz urgente uma governança global que substitua o unilateralismo mocêntrico. Ou deslocamos o eixo do “eu” (a minha economia, a minha força militar, o meu futuro) para o “nós” (o nosso sistema de produção, a nossa política e o nosso futuro comum) ou então dificilmente evitaremos uma tragédia, não só individual mas coletiva. Independente de sermos socialistas ou não, o social e o planetário devem orientar o destino comum da humanidade.

Mas por que o individualismo é tão arraigado? Porque ele está fundado num dado real do processo evolucionário e antropogênico, mas assumido de forma reducionista. Os cosmólogos nos asseguram que há duas tendências em todos os seres, especialmente nos vivos: a de auto-afirmação (eu) e a de integração num todo maior (nós). Pela auto-afirmação cada ser defende sua existência, caso contrario, desaparece. Por outro lado, nunca está só, está sempre enredado numa teia de relações que o integra e lhe facilita a sobrevivência.

As duas tendências coexistem e juntas constroem cada ser e sustentam a biodiversidade. Excluindo uma delas surgem patologias. O “eu” sem o “nós” leva ao individualismo e ao capitalismo como sua expressão econômica. O “nós” sem o “eu” desemboca no socialismo estatal e no coletivismo econômico. O equilíbrio entre o “eu” e o “nós” se encontra na democracia participativa que articula ambos os pólos. Ela acolhe o indivíduo (eu) e o vê sempre inserido na sociedade maior (nós) como cidadão.

Hoje precisamos de uma hiperdemocracia que valorize cada ser e cada pessoa e garanta a sustentabilidade do coletivo que é a geosociedade nascente.

(IHU On-line)