quarta-feira, 30 de março de 2011

Sinal de atenção


João-de-barro escolhe semáforo para construir ninho no Centro de Florianópolis

Bióloga explica que espécie já está acostumada com o movimento do meio urbano

Um joão-de-barro escolheu um local inusitado para construir seu ninho em Florianópolis: um semáforo bem no centro da cidade, em frente ao Terminal Rodoviário Rita Maria. A imagem, um tanto bucólica, é cada vez mais frequente, segundo explica a bióloga e educadora ambiental da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), Sayonara de Castilhos Amaral.

— Os joões-de-barro urbanizaram-se. Como não têm mais onde fazer o ninho, é comum escolherem esse tipo de lugar para construírem. Eles convivem bem com o meio urbano.

O problema, complementa Sayonara, é que algumas pessoas pensam que os belos ninhos feitos pela ave podem servir de souvenir e os retiram do lugar. Mas, mesmo que o animal abandone a construção depois que a ninhada cresce, o local pode voltar a ser habitado por outro pássaro.

— Eles também são um adereço a mais para a cidade — diz, alertando que o ideal é não mexer nos ninhos.

A bióloga conta que há uma comunidade de joões-de-barro na região central de Florianópolis. Um deles construiu um ninho sobre um dos ombros da estátua em homenagem ao fundador de Florianópolis, Francisco Dias Velho. Funcionários da Comcap teriam removido a construção, mas um trabalho de educação ambiental foi feito junto a eles para que deixassem os ninhos nos lugares.

Fonte DC

segunda-feira, 28 de março de 2011

INSTITUTO CHICO MENDES (ICMBio) E O ESTALEIRO OSX

NOTA AOS CATARINENSES

Considerando-se as últimas notícias referentes à possível mudança do estaleiro OSX para o estado do Rio de Janeiro em decorrência da negativa do Instituto Chico Mendes (ICMBio) para sua instalação na Baia Norte (município de Biguaçu/SC), vimos por meio deste informar que:

1 O Instituto Chico Mendes (ICMBio) é um órgão do governo federal, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Foi criado em 2007, resultado da reestruturação do Ibama e tem a missão institucional de “proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental”.

2 O Instituto Chico Mendes (ICMBio) é responsável pela gestão de 310 unidades de conservação federais - o que totaliza aproximadamente 78 milhões de hectares - além de 15 centros de pesquisa relacionados à conservação da biodiversidade e ao uso sustentável dos recursos naturais.

3 Nos processos de licenciamento em que ocorrem impactos às unidades de conservação e seus objetivos, ou às espécies ameaçadas de extinção, o Instituto Chico Mendes (ICMBio) é obrigado legalmente a se manifestar.

4 A implantação do estaleiro OSX, na alternativa locacional proposta, impacta três unidades de conservação federais (Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Estação Ecológica de Carijós), por isso a FATMA solicitou a manifestação do Instituto Chico Mendes (ICMBio).

5 Após criteriosa análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental, observou-se que o mesmo identifica uma série de conseqüências irreversíveis e não mitigáveis a estas unidades e a seus objetivos.

6 Reunindo a enorme possibilidade de permanente contaminação biológica dos atributos bióticos da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, os indícios irrefutáveis de modificações nos atributos físicos e bióticos da Estação Ecológica de Carijós (ambas unidades de conservação de proteção integral) e os impactos negativos irreversíveis e diretos (inclusive podendo ocasionar a extinção local) do grupo de indivíduos de golfinhos cinza Sotalia guianensis, que foi o objetivo principal de criação da Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, o empreendimento na alternativa locacional proposta torna-se totalmente incompatível com a existência dessas unidades de conservação.

7 Além do acima exposto, ainda pesam contra a instalação do empreendimento no local todos os outros impactos à biota e às comunidades do entorno e a impossibilidade de mitigação de grande parte desses impactos.

8 Por estes motivos o Instituto Chico Mendes (ICMBio) concluiu pela inviabilidade ambiental do empreendimento e recomendou a não autorização na alternativa locacional proposta.

9 Outrossim, cabe destacar que o mesmo Estudo de Impacto Ambiental apresenta outras três alternativas locacionais para o empreendimento, todas no estado de Santa Catarina. E dentre todas as alternativas locacionais, a escolhida pelo empreendedor é, sem sombra de dúvidas, a mais impactante do ponto de vista ambiental, pois gerará impactos permanentes a três unidades de conservação, cada uma com seus atributos bióticos a abióticos únicos, que suscitaram suas criações. Neste contexto, em verdade, torna-se difícil conceber local mais sensível na costa catarinense para a instalação de empreendimento dessa natureza.

10 Diante do exposto, vimos informar à sociedade catarinense que a posição do Instituto Chico Mendes (ICMBio) não é “contra o estaleiro”, ou “contra Santa Catarina”, como vem sendo exposto em alguns meios de comunicação. Somos contrários ao empreendimento no local proposto para sua instalação (Baía Norte), caracterizado atualmente por uma rica biodiversidade e por atividades de maricultura, pesca artesanal e turismo.

11 Ficamos à disposição para todos os esclarecimentos que se fizerem necessários e reiteramos os compromissos estabelecidos com nossa missão institucional.

APA Anhatomirim

ESEC Carijós

REBIO Arvoredo

Coordenação Regional 09


--
UNIDADES MARINHO-COSTEIRAS DE SANTA CATARINA
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho s/n°, km 02, Jurerê.
CEP: 88053-700 - Florianópolis-SC
Tel. (48)3282-1863 Fax. (48) 3282-9002

quinta-feira, 24 de março de 2011

Os cinco princípios da vida verde

1. Proteja o verde da terra; a terra é o lar da vida.

Um exemplo de nossas atividades para proteger o meio ambiente é a nossa campanha “ Proteja o ecossistema local”. Em vilas agrícolas, florestas e áreas arborizadas podem ser encontradas juntas às plantações de arroz. Isto é o que chamamos “satoyama”, ou uma área onde ciclos ecológicos normais são apoiados pelo cultivo. Florestas decíduas no ecossistema da fazenda vila são um recurso precioso e essencial para as vidas dos residentes e para a sobrevivência de plantas e animais. Pressionamos os governos locais em várias áreas e levantamos verba para comprar terra e executamos as atividades ambientais a fim de proteger os ecossistemas locais da onda do desenvolvimento.

O que podemos fazer como seguidores do Soto Zen para proteger os recursos verdes da terra? Primeiro, visite seu templo(Budista ou xintoísta) local e observe as árvores e o ambiente na área adjacente. Em alguns lugares haverá densas florestas e em outros nada além de estruturas de concreto. Vamos pensar seriamente no que podemos fazer para proteger as florestas se elas estiverem lá e como plantar novas árvores se elas não existirem.

Um grupo chamado Vida Ecológica e Organização Cultural entrevistou estudantes secundários e perguntou o que acham das florestas. Uma das respostas mais comuns foi, “Elas nos dão santuários”, “Elas servem de represa natural para absorver as águas de chuva”, “Montanhas e florestas nos dão presentes,”e “elas nos mostram a dificuldade, importância e o prazer da cultivação.”

Devemos desenvolver o hábito de dar atenção ao solo, árvores e água a fim de preservar o verde que nos cerca. Se deixarmos as coisas como estão nesta sociedade, onde o aquecimento global continua a se alastrar, perderemos as árvores. As opiniões dos estudantes secundários acima certamente ressoam. Conforme escrito no primeiro princípio, a terra verde é o lar de toda vida.

2. Não desperdice água; é a fonte da vida.

A Sociedade Soto de Mulheres está envolvida em atividades chamadas de “Plano Verde”. Por exemplo, o capítulo Kanto entregou adesivos que listavam atividades que poderiam ser feitas nas casas para economizar água, redes para pias de cozinha, escovas de esfregar de acrílico confeccionadas pelos membros e outros itens. Material entregues a transeuntes das grandes ruas, ao lado das grandes estações para aumentar a conscientização sobre a importância das questões ambientais. Os membros deste capítulo continuam a confeccionar escovas diariamente e as entregam às pessoas da área.

Algums modos para se conservar água são:

  • Por uma tampa nas torneiras
  • Fechar a torneira enquanto lava o rosto
  • Usar ralos com pequenos buracos e ter cuidado para não deixar restos de comida caírem na pia
  • Encharque jornais de óleo e jogue-os fora ao invés de jogar fora o óleo na pia
  • Use escovas de acrílico para esfregar e ensaboe para reduzir o uso de detergentes sintéticos.

Há várias outras idéias para manter a água limpa em nossas atividades diárias. Na realidade, a maioria desta atitude não é algo que começou recentemente, mas que está enraizado nos estilos de vida das pessoas e que datam da “sabedoria dos idosos”. O Plano Verde estima a sabedoria das pessoas idosas. Temos muito a aprender deles sobre como viver na abundância e, ao mesmo tempo, conservar a energia.

Diz-se que uma vez Dogen Zenji tirou água de um rio de uma montanha e disse: “ Que essa água traga bençãos a 100 milhões de pessoas após mim, “ após retornar metade da água do balde de volta no rio.
É assim que ele valorizava a água. Vamos nos habituar a mantermos a água limpa e não desperdiçá-la.

3. Não desperdice combustível ou eletricidade; estes são a energia da vida.

Como partes da atividade do Plano Verde, a Escola Soto Zen está visitando seus templos e todos seus fiéis para diminuir o consumo de energia consumida em 1%. Algumas coisas simples que você pode fazer em sua vizinhança próxima, que lhe economizarão cerca de 50,000 yenes por ano em serviços públicos por família.

  • Desligue as luzes e eletrodomésticos quando estes não estiverem sendo usados.
  • Baixe a temperatura do ar condicionado um grau no inverno e aumente um grau no verão.
  • Faça com que os membros de sua família tomem banho um após o outro para conservar energia.
  • Reduzir o tempo gasto assistindo televisão em uma hora

Se isto for feito pelos 1.7 milhões de lares seguidores de Soto Zen, resultará numa economia de cerca de 60,000 quilolitros de óleo cru (Ou o equivalente ao consumo anual de aproximadamente 7,500 lares). Olhando por um outro ângulo, isto poderia ressaltar o quanto é desperdiçado por uma sociedade de grande crescimento.

Os méritos das ofertas são ensinados em Shoshogi, um sutra Soto Zen. Diz-se: “Não seja mesquinho nas ofertas”.
Este ensinamento pode ser aplicado nas atividades de conservação descritas acima, que resultarão no semear de felicidade para gerações futuras.

4. Mantenha o ar limpo; ele é a praça da vida.

O sindicato da cooperativa de consumidores japoneses realiza algumas atividades notáveis. Os membros deste sindicato levam sua próprias sacolas para as quitandas e as usam ao invés das sacolas plásticas no caixa. Como resultado eles eliminaram a necessidade de cerca de 250 milhões de sacolas de quitanda em 1996. Isto é o equivalente a 1,075.77 toneladas de carbono que não foram liberadas na atmosfera.

Quando trabalhamos junto, estes resultados surpreendentes são possíveis. Dentro da Escola Soto Zen, templos e leigos estão se reunindo para reduzir a poluição em 1%. Nós os encorajamos a manterem um livro familiar do meio ambiente para que os resultados possam ser vistos mais claramente. Por exemplo:

  • O lixo cru no lar diminuiu.
  • A temperatura do ar condicionado foi regulado um grau.
  • Banhos foram reduzidos em uma vez a cada dois dias.
  • 10 minutos de marcha lenta por dia foram eliminados.

Estes tipos de registros permitem às pessoas verificarem os resultados, e esta atividade é importante para acostumar-se a um estilo de vida com economia de energia. Os fiéis da Soto Zen correspondem a 1.7 milhões de lares, e o Plano Verde requer a participação de todos os membros. É uma tentativa de mudar vidas e o mundo ao nosso redor.

Keizan Zenji nos ensinou que “A mente comum é o caminho.” Este ensinamento nos faz perceber que, quando uma verdade é descoberta na vida diária e posta em prática, isto é o caminho do budismo. A atmosfera é o que preserva o equilíbrio delicado para toda a vida existir, porém a humanidade está prestes a confundir este equilíbrio. Não há outro modo de proteger o meio ambiente a não ser fazê-lo em nossas vidas diárias.

5. Coexistir com a natureza; é a encarnação de Buda.

Dogen Zenji amava as montanhas e a natureza. Vivendo-se com a natureza, ele disse,

“ Se eu cuidar das montanhas, elas cuidarão de mim”

Ele também proclamou que
“ As cores das montanhas e o som dos rios da montanha são a voz e encarnação de Buda Shakyamuni.”

Ele ensinou que todos os aspectos da natureza eram a encarnação de Buda.
Keizan Zenji também ensinou que a natureza era Buda. Ele disse,
“Você não deve ver Buda Shakyamuni em nada a não ser na natureza e seres vivos.
Montanhas, rios e todas as outras coisas na natureza podem ter várias formas, mas elas são todas a encarnação de Buda Shakyamuni.”
Ele também nos advertiu que nenhum galho de árvore ou planta deveria ser quebrado a não ser que fosse usado numa cerimônia e proibiu estritamente o derrubamento desnecessário de árvores. Keizan Zenji coexistiu em harmonia com a natureza e esforçou-se para viver com um mínimo de recursos a fim de protegê-la.

Aprender das palavras e vidas destes fundadores da Soto Zen é aceitar a natureza em si como a encarnação de Buda Shakyamuni, respeitá-la, valorizá-la, aprender com ela e viver em harmonia com ela.

Fonte: Sotozen

terça-feira, 22 de março de 2011

Cantor Ziggy Marley, ativista vegetariano visita o Daissen Restaurante Vegetariano

O cantor e compositor jamaicano Ziggy Marley é uma das mais proeminentes personalidades da música e cultura Reggae da história, ganhador de 5 prêmios Grammy.

Filho de Bob Marley, é ativista vegetariano e se apresentará em Floripa nesta terça-feira, 22/03, em show inédito em Floripa.

Ziggy é muito criterioso com sua alimentação. O Daissen Restaurante Vegetariano foi escolhido - com muito orgulho - para fornecer as refeições para o próprio Ziggy Marley e para toda a sua equipe. Também cuidaremos da alimentação nas vans e no extremamente restrito camarim do artista - Álvaro Chalegre, chef do Daissen vai preparar quitutes deliciosos e me convidou para montar uma mesa de sushi veganos.

As refeições do artista serão entregues em seu camarim pelo SPA DAISSEN, o serviço de entrega de refeições balanceadas do Restaurante Daissen: spadaissen.blogspot.com.





Álvaro the Master Chef The Best Food in the World!!! E sem falsa modéstia, ele está certo. Porém não saberia precisar qual é o tempero que faz de nossa comida algo tão especial, os ingredientes são muitos: a comida é vegetariana, tem a dedicação da equipe, o carinho, o cuidado, muito capricho... Aos nossos clientes, nosso muito obrigado e você que ainda não experimentou, estamos a sua espera ; )








sábado, 12 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

A tecnologia da floresta é insubstituível



No Ano Internacional das Florestas, o primeiro entrevistado do programa Ekos do Brasil é Antônio Donato Nobre, cientista da Terra e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Segundo ele, a única maneira possível de recuperarmos o equilíbrio do planeta é replantando florestas nativas. Afinal, elas possuem um grau de sofisticação tecnológica que o ser humano jamais será capaz de reproduzir.

Aprenda com o cientista sobre a importância das florestas.

Antonio Nobre, cientista da terra e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

E o "Lixo Extraordinário" brasileiro


Essa frase de um personagem do filme resume uma das questões levantadas no filme Lixo Extraordinário. Mas, ela é apenas uma delas. O documentário não é sobre Vik Muniz, um dos artistas plásticos mais conceituados da atualidade, que a propaganda está insistindo em mostrar apenas como o autor da abertura de Passione. O filme conta a história de como um homem com talento e muita força de vontade consegue mudar a vida de várias pessoas. De como a rotina pode ser mexida resultando em maravilhas. Uma aula de cidadania que mostra que a humanidade ainda tem solução.

Pode parecer pedante, mas o documentário começa com Vik Muniz procurando um sentido para sua arte e resolvendo ir ao aterro de Jardim Gramacho no Rio de Janeiro para recrutar algumas pessoas para ajudá-lo em um projeto, vender as obras e retornar o lucro para melhorar a vida da comunidade. O ar de superioridade do artista pode incomodar alguns, mas acaba sendo apenas o ponto de partida para uma experiência incrível. Muitos filmes já foram feitos sobre e no lixão, a exemplo de Boca de Lixo de Coutinho, Estamira de Marcos Prado ou mesmo Ilha das Flores de Jorge Furtado. Mas, nenhum tinha mexido nas estruturas do espaço a ponto de tirar algumas pessoas daquele ofício.

Não que este seja indigno. Os catadores de material reciclado são profissionais e exigem respeito. Não é agradável viver no meio do lixo, mas muitas mulheres gostam de deixar claro que é muito melhor estar ali do que na calçada se prostituindo. Não somos ninguém para julgar aquela realidade. O que podemos observar é a forma como surgem os personagens de Lixo Extraordinário e sua evolução. Perceber que tem gente ali que tem mais cultura e consciência que muita gente de classe média. Tião já leu Nietzsche e Maquiavel. Zumbi sonha em construir uma biblioteca com os livros que encontra no lixo que vai de leitura fácil como O Código da Vinci à A Arte da Guerra. Cada ser humano ali tem uma história, um sonho, um futuro. A beleza do documentário é desvendar cada um deles.

Como disse, Vik Muniz é apenas o estopim. Claro que sua obra tem grande valor e também ele começou pobre, vendo no lixo uma matéria-prima ideal para suas obras. Mas, o grande mérito desse longametragem não é o artista e sua obra, mas os personagens que encontra e transforma em mão-de-obra, inspiração, modelo e artista junto com ele. Tanto que o filme perde quando se volta para Vik. Há uma quebra desnecessária no meio do documentário para irmos a São Paulo ver onde o artista nasceu e falar um pouco de sua história. Talvez seja o momento mais fraco do filme.

Há de se estranhar também a forma como os diretores Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley resolveram iniciar e terminar seu filme. Jô Soares aparece na tela quase que gratuitamente. Mas, acredito que esteja ali para substituir o narrador. Uma forma mais orgânica de apresentar o personagem que parece ser o central no início, Vik Muniz, e de fechar com o verdadeiro protagonista do filme, Tião. Sebastião Carlos do Santos, o líder da cooperativa de catadores de material reciclado. Aquele que muitos querem para presidente. Essa transição de Muniz para Tião, pode ser interpretada também como o que vem depois. De qualquer forma, é uma escolha de introdução e conclusão a partir de um programa de televisão conhecido.

Lixo Extraordinário é daqueles filmes para serem vistos de coração aberto. Não procurem julgar Vik Muniz ou seus diretores, nem fiquem catando os sinais de oportunismo nessa história. Vejam os personagens. Aquelas pessoas que fazem do seu dia a dia a coleta dentro do lixo de algo que possa ser aproveitado. Do que significa serem levados àquelas experiências. De sua alegria com os quadros nas mãos. A vida é feita de momentos. De uma forma ou de outra, cada um ali nunca mais foi o mesmo, vide as informações posteriores de onde está cada um hoje em dia. É um filme para se pensar. Que a indicação ao Oscar faça todos terem pelo menos a curiosidade de ver essa maravilha.

Retirado daqui!

Esteve em exibição aqui!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carne indigesta

Em Comer Animais, o premiado escritor Jonathan Safran Foer detalha os motivos de seu vegetarianismo


Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo

Jonathan Safran Foer estreou na literatura sem turbulências. Seu primeiro livro, Tudo se Ilumina (2002), foi mimado com resenhas elogiosas e até ganhou uma versão para o cinema. O segundo, Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (2005), voltou a deixar a crítica de queixo caído ao contar a história de um garoto talentoso que é incapaz de enfrentar a morte do pai, uma das vítimas do ataque ao World Trade Center. Quando se esperava por mais um salto do escritor americano com rosto de bom moço, a surpresa: Foer decidiu enveredar pela não ficção, publicando, em 2009, Comer Animais (tradução de Adriana Lisboa), que a editora Rocco, também responsável por seus dois primeiros títulos, lança nesta semana.

Wilton Junior/AE-12/8/2006
Wilton Junior/AE-12/8/2006
O autor. Nascimento do filho o levou a questionamentos

Em linhas gerais, trata-se de uma detalhada reportagem, temperada com reminiscências familiares, sobre a poderosa indústria especializada em carne animal que, só nos Estados Unidos, abate mais de dez bilhões de espécimes por ano apenas para alimentação. Não apenas o número impressiona mas a forma como esses animais são tratados antes de ornamentar o prato de milhares de pessoas.

Foer conta que o assunto já o acompanhava há um certo tempo - garoto, era um apaixonado por galinha com cenoura, único prato que a avó sabia preparar; jovem, recusava-se a comer carne em público (ainda que, confessa, a atitude era mais para impressionar meninas ativistas). Mesmo assim, o vegetarianismo ainda não era uma opção de vida. "Mark Twain disse que parar de fumar era uma das coisas mais fáceis de se fazer; ele fazia isso o tempo todo. Eu acrescentaria o vegetarianismo à lista das coisas fáceis", escreve, em Comer Animais.

Foi o nascimento do primeiro filho, no entanto, em 2006, que desencadeou uma ferrenha tomada de posição: Foer questionava, ao lado da mulher, a também escritora Nicole Krauss, a forma de alimentação da criança e, por extensão, do próprio casal. "Éramos vegetarianos que de vez em quando comiam carne." Disposto a descobrir a origem de sua alimentação de origem animal, Foer passou três anos fazendo pesquisas, conhecendo fazendas (e sendo expulso de algumas) e descobrindo a forma cruel com que os animais são tratados e, pior, abatidos. O resultado não apenas alterou seu hábito alimentar como gerou um livro que provoca discussões.

Fonte: O Estadão

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