domingo, 29 de novembro de 2009

A vez dos animais


Arnaldo Antunes e outros artistas cantam em show por Copenhague e animais

Um show com artistas e bandas brasileiras como Arnaldo Antunes, Teatro Mágico, Fernanda Porto, Edgard Scandurra, Projeto Pequeno Cidadão, Palavra Cantada, Banda Stevens e Robson Miguel vai acontecer no dia 13 de dezembro (domingo).

A data cai bem na metade do período da conferência do clima da ONU em Copenhague, que ocorrerá entre 7 e 18 de dezembro.

O evento, gratuito, está na agenda da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da prefeitura de São Paulo para Copenhague e ocorrerá no Parque da Independência, junto ao Museu do Ipiranga.

"O show busca chamar a atenção também para os animais, que não têm a devida atenção nesta discussão sobre o clima", diz Silvana Andrade, diretora da Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda), que organiza o evento.

Com o nome de "Música e Consciência - Pelos Animais, Pelo Planeta", o show, que também contará com a presença da atriz Gabriela Duarte, pretende disseminar por meio da música "a importância de vivermos em harmonia, respeitando a vida" e "levar uma mensagem de convivência pacífica e ética" com os outros seres, divulga o comunicado da agência.

Todo o evento é construído com colaborações voluntárias - inclusive dos artistas - e seu início é previsto para a partir das 11h, com seis horas de duração.

A conferência de Copenhague busca um novo acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, com medidas contra o aquecimento global e a emissão humana excessiva de gás carbônico.

(Fonte: Folha Online)

sábado, 28 de novembro de 2009

Menos carne e mais bicicletas


Menos carne e mais bicicletas ajudam clima e saúde, mostra revista “Lancet”

A redução de 30% da produção e do consumo de carne entre os principais produtores, associada a avanços tecnológicos, pode reduzir sensivelmente as emissões e o número de doenças cardíacas, mostra estudo na revista científica britânica “The Lancet”.

Ela contextualiza, dizendo que a agricultura e a alimentação representam de 10% a 12% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa.

O estudo faz parte de uma série publicada na “The Lancet” em função da aproximação da Cúpula de Copenhague, que acontece entre 7 e 18 de dezembro. A iniciativa antecipa os benefícios para a saúde e clima de ações que podem ser adotadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Ciclistas

A revista mostra também que preparar as cidades para pedestres e ciclistas pode ajudar mais a reduzir o impacto para a saúde do que incentivar a fabricação de carros menos poluentes.

A reformulação dos transportes nas cidades de Londres e Nova Déli mostrou que, quanto mais espaços para pedestres e bicicletas, menor o número de doenças cardíacas e de acidentes vasculares cerebrais.

A redução de parte da eletricidade produzida a partir de energias fósseis (gás, carvão e petróleo) teria um duplo benefício, para o clima e para a saúde humana, reduzindo a poluição do ar.

Adotando como hipótese uma trajetória de divisão por dois das emissões mundiais de CO2 até 2050, os estudos analisam o impacto para a saúde em cada país.

O efeito mais acentuado seria na Índia, onde, no melhor dos casos, se poderia evitar 93.000 mortes por câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e cardiorrespiratórias em 2030 em relação a um cenário sem esforço específico.

Reconhecimento

“Os políticos com poder de decisão custaram a reconhecer que o verdadeiro problema da mudança climática está no risco de afetar a saúde humana e a qualidade de vida”, disse a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) Margaret Chan.

“A desnutrição e seus efeitos devastadores sobre a saúde das crianças vai aumentar”, destacou, incluindo os arriscados aumentos de temperatura entre idosos, destacou.

“Além disso, a mudança climática pode modificar a distribuição geográfica dos vetores das doenças, entre as quais os insetos que transmitem a malária e a dengue”, advertiu.

Fonte: FOLHA

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mais um estudo óbvio


Comer menos carne ajuda o planeta e o coração, afirma estudo

Passar por cima da terceira porção de carne assada, salvar o planeta e fazer um favor ao seu coração, simultaneamente.

Esse é o conselho de Alan Dangour, da London School of Hygiene and Tropical Medicine e colegas que, juntos, exploraram o potencial da indústria do gado no Reino Unido, a fim de ajudar a reduzir as emissões de carbono pela metade até 2030, em relação aos níveis de 1990, além de fazer uma avaliação sobre os efeitos na saúde da nação.

Eles descobriram que a indústria poderia reduzir as suas emissões, mas apenas se o gado consumido e produzido no Reino Unido fosse reduzido em 30%. Fazendas também poderiam otimizar a eficiência energética, por exemplo, capturando carbono em adubos.

Os cortes nos gastos de saúde seriam consideráveis: 18 mil pessoas deixariam de morrer prematuramente em decorrência de ataques cardíacos --uma redução de 17%--, assim como haveria menos ingestão de gorduras saturadas, tipicamente encontradas nas gorduras da carne.

Os efeitos não se limitariam apenas às nações ricas. A equipe descobriu que o Brasil poderia alcançar os mesmos benefícios de saúde. "Nós não estamos dizendo para que sejam vegetarianos, estamos falando em reduzir a quantidade de produção e de consumo", diz Dangour. A poupança poderia ser ainda maior, se as taxas de morte por câncer colorretal e obesidade forem incluídas, diz ele.

O agrônomo Kenneth Cassman, da Universidade de Nebraska, alerta que o corte na produção em uma região pode impulsioná-la em outro lugar, causando o efeito reverso: um aumento nas emissões globais.

"Reduzir a produção de produtos de origem animal em um país desenvolvido como o Reino Unido faz pouco para influenciar as tendências mundiais na produção e consumo, onde a maior parte do aumento na demanda, daqui e até 2050, virá de países em desenvolvimento", diz ele.

Folha online

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Primeiro-ministro do Butão cria nova fórmula para calcular riqueza


Felicidade Nacional Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto de um país, defende o primeiro-ministro do Butão, Lyongpo Jigme Thinley. Ele está em Foz do Iguaçu, onde participa da 5ª Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta (FIB), que foi encerrada nesta segunda-feira (23/11).

Pequeno país budista da Ásia, situado na Cordilheira do Himalia, o Butão está atraindo a atenção de governantes e economistas de vários países com sua nova fórmula para o cálculo de riqueza e desenvolvimento. “Quando o Poder Público articula políticas públicas, algumas questões são fundamentais. Desenvolvimento é ser feliz, caso contrário não é desenvolvimento. É preciso articular em conjunto o bem-estar psicológico, o uso do tempo, a vitalidade da comunidade, a cultura, saúde, educação, diversidade do meio ambiente, o padrão de vida e a governança”, explica o primeiro-ministro.

Líder do primeiro governo democraticamente eleito no país, Thinley disse que a adoção da FIB como forma de medir a prosperidade e a felicidade de seu povo fez parte de sua campanha à eleição no ano passado. Lembrou que o termo FIB foi criado em 1972 pelo rei butanês Jigme Wangchuck, na época com 16 anos, “para se contrapor às medições puramente materiais do PIB” - a soma de serviços e bens produzidos em determinado período.

Entretanto, sua aplicação como prática de governo começou este ano, quando outros países se interessaram por essa nova forma de gerir seus recursos. A psicológa e antropóloga Susan Andrews é a coordenadora do FIB no Brasil. Fundadora do Instituto Visão Futuro, ela coordena o projeto pioneiro na periferia de Itapetininga (SP), numa parceria com a prefeitura municipal. “São aplicados questionários que relacionam os indicadores do FIB com os moradores. Normalmente, o que percebemos é que até certo nível é importante a base material, mas chega um ponto em que os bens materiais não são mais indicadores para a felicidade”, ressaltou.

O que o ser humano realmente aspira ao longo de sua passagem pela terra é a felicidade, concordam os participantes do congresso. O consenso é de que houve tempos em que a economia era orientada para o bem comum, a felicidade humana, ou seja, a economia era serva do homem. Depois, na modernidade, o homem passou a ser servo da economia. De acordo com material divulgado pelos organizadores, atualmente, o próprio criador do índice PIB, Simon Kuznetz, Prêmio Nobel de Economia, compreende que essa prática não é boa e precisa de revisão.

Em sua palestra, Jon Hall, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), diz que a crise econômica internacional tem levado diversos países a revisar seus conceitos sobre desenvolvimento. Entre eles estão o Canadá, a França, Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Espanha, Hungria, África do Sul, Tailândia e Coreia do Sul, e o grupo segue crescendo. “Não necessariamente os países devem adotar a metodologia que o Butão desenvolveu. O importante é que as pessoas se reúnam e discutam maneiras de avaliar o progresso de suas comunidades, organizações e países, para que sejam adotadas as políticas públicas”.

(Agência Brasil)

sábado, 21 de novembro de 2009

Calor escaldante na Austrália





Faz calor no sul da Austrália durante mais de uma semana... mais de 44°C cada dia, muito seco.

Nunca visto antes, os koalas pedem água aos ciclistas!!!
Um homem que vive em Maude, recebeu estas fotos da sua mulher.

Um pequeno Koala veio até o alpendre da parte de trás da casa, para obter um pouco de sombra e ficar ao abrigo do calor.

A mulher encheu uma bacia de água e olhem o que aconteceu...

As imagens nos mostram claramente o que REALMENTE ESTÁ ACONTECENDO COM O PLANETA!
O consumo EXCESSIVO e o desenvolvimento INSUSTENTÁVEL, resulta neste aquecimento global que afeta a TODOS!

Inclusive essas criaturas, que ANTES se mantinham em HARMONIA com a natureza!!!

REFLETIR É PRECISO! AGIR, É IMPRESCINDÍVEL!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"A carne das fazendas americanas é imoral"


"As fazendas de gado tratam os animais de maneiras
que seriam ilegais se fossem aplicadas a cães ou gatos"


O menino Jonathan Safran Foer tinha 9 anos quando se deu conta de que o frango servido com cenouras em seu prato, receita favorita preparada por sua avó judia que sobrevivera ao nazismo, era feito de uma ave que dias antes estava viva. A revelação, feita por uma babá vegetariana, transformou sua maneira de encarar a comida. De lá para cá, Foer virou vegetariano e voltou a comer carne várias vezes, por vários motivos – do princípio ético ao desejo por belas garotas engajadas na proteção dos animais. A gangorra alimentar parou quando, perto dos 30 anos e já autor de um best-seller premiado, ele se tornou pai. Ele não queria que as memórias alimentares que seus filhos carregariam por toda a vida tivessem o mesmo sabor animal das suas. Foer resolveu então abandonar a carne em definitivo e começou a escrever sobre o assunto. Seu exercício filosófico resultou no livro Eating animals, recém-lançado nos Estados Unidos e ainda sem tradução para o português.

Para os americanos, como para os brasileiros, comer carne é uma paixão. Só em 2009, de acordo com Foer, eles digeriram 12 milhões de toneladas de carne de vaca, além de porco e aves em quantidades igualmente gigantescas. Mas a criação do gado americano é diferente da nossa. “As fazendas de gado brasileiras não são como as americanas”, disse Foer a ÉPOCA. “Os animais aí ainda pastam, ainda são criados de maneiras que a maioria das pessoas aceitaria.” Lá, não. A criação intensiva de animais e seu abate industrial são descritos no livro de modo nauseante. Entre as descrições mais impressionantes de suas visitas às fazendas está o confinamento de perus numa granja forrada com camadas sobre camadas de fezes acumuladas, em que os gases de amônia causam feridas na pele e nos pulmões das aves. Ou o “caldo fecal” em que frangos são mergulhados antes do abate para engolir água (suja) e ficar mais pesados – prática que seria uma das causas dos crescentes casos de contaminação pela bactéria Escherichia coli. São condições de vida que, diz Foer, seriam consideradas ilegais se aplicadas a cães ou gatos. Segundo seu relato, os animais das fazendas americanas consomem quase dez vezes mais antibióticos que os seres humanos. Em alguns momentos, o leitor pode pensar em parar de comer carne não por amor aos animais, mas por nojo e medo de adoecer.

Continue lendo aqui o artigo da revista Época.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A culinária vegetariana dos mosteiros zen budistas


Shôjin Ryôri, a culinária típica dos mosteiros zen budistas, tem o sentido de nutrição, saúde e força espiritual para os monges e praticantes de zen. É esse o tema abordado pela Monja Gyoku En em seu primeiro livro, O Zen na cozinha (Editora CLA, Coleção Sustentar, 128 páginas, R$ 30,00). Seguindo os ensinamentos do Mestre Dôgen – que no século 13 criou no Japão o Tenzô Kyokun (“Instruções ao cozinheiro Zen”) –, a monja brasileira mostra que o coração da culinária Shôjin está na maneira de cozinhar, na apresentação dos pratos – simples porém refinados –, e na redução do desperdício. Com um texto leve, a autora apresenta dezenas de receitas e lembra que mais do que técnica, o importante é a atitude do espírito. O ato de cozinhar pode ser uma meditação, com atenção, respeito e reverência zen por toda forma de vida.

A culinária Shôjin

Nenhuma carne, peixe, ovos ou derivados do leite entram na cozinha Shôjin, mas todos os outros ingredientes são bem-vindos. Para preparar uma refeição Shôjin em casa basta cozinhar com concentração e seguir alguns princípios, como usar ingredientes frescos, respeitar seus sabores e temperar levemente. Cada item é preparado de forma muito especial para ativar a energia dos alimentos, revelando seu agradável aroma, seu paladar único, suas texturas e cores. O açúcar é usado com parcimônia, apenas para arredondar o sabor, e o óleo vegetal entra em pequena quantidade ou em ligeiras frituras. A proteína de base é a soja, que forma um par perfeito com o arroz.

A culinária Shôjin utiliza basicamente cinco métodos de cozinhar – ferver, grelhar, fritar, cozinhar no vapor, deixar cru. Quando se trata de cozimento, a maioria dos pratos é preparada em fogo brando. Nunca se cozinha demais, pois a idéia é servir o alimento al dente – crocante, saboroso e quase cru –, propiciando sabor e textura com alto valor nutricional.

A cozinha Shôjin valoriza as variações do sabor: picante, ácido, amargo, doce, salgado e neutro. Cada alimento tem sua função dentro do metabolismo. Uns estimulam e dão força, tonificando. Outros apaziguam as funções exacerbadas, harmonizam, sedam.

Para que os pratos tenham um equilíbrio é necessário que os seis sabores e as três virtudes – suavidade/leveza, nitidez/frescor e cuidado/ precisão – estejam presentes. As três virtudes dependem da atitude do cozinheiro na relação com os alimentos.

Importante também para o equilíbrio das refeições é o uso das cores básicas – amarelo, branco, verde, vermelho, preto ou roxo e marrom – e a quantidade de alimento servido. Cada prato vem em pequenas porções, o que evita excessos e sobras.


Exemplo de receita


Masu no age-ni – berinjelas ao molho de gengibre

Ingredientes:

- 4 berinjelas médias

- 8 pimentões pequenos verdes

- 3 pimentas vermelhas picantes ou secas

- 1 e ½ xícara de caldo dashi (caldo essencial que serve de base para toda a comida Shôjin, que pode ser feito com algas marinhas, cogumelo shiitake ou vegetais.

- 2 colheres (sopa) de açúcar

- 3 colheres (sopa) de molho de soja

- 1 ½ colher (sopa) de mirin

- óleo vegetal para fritura

Como fazer


Retire as cascas das berinjelas e corte-as ao meio no sentido do comprimento. Depois faça 3 ou 4 incisões ligeiras em sentido oblíquo. Corte os pimentões e as pimentas vermelhas em 3 pedaços. Coloque duas colheres de sopa de óleo vegetal em uma caçarola, frite em fogo alto até dourar, primeiro as berinjelas, depois os pimentões e as pimentas. Retire-os da fritura e reserve. Em outra caçarola, junte o caldo dashi, o açúcar, o molho de soja e o mirin. Deixe esquentar e junte os pimentões verdes, as pimentas e as berinjelas, deixando cozinhar por mais 2 minutos.

Sirva em pequenos pratos regados com o molho e salpicados com gengibre.

Fonte: www.vegetarianismo.com.br

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O consumismo inconsciente das crianças


“Lacan assume que o inconsciente se estrutura como uma linguagem, como uma cadeia de significante latente que se repete e interfere no discurso efetivo, como se houvesse sempre, sob as palavras, outras palavras, como se o discurso fosse sempre atravessado pelo discurso do Outro, do inconsciente.” - Fernanda Mussalim (2006)

“Vivemos fazendo e ouvindo discursos. Muitos deles desiguais, superiores, repressores. “A classe dominante, para manter sua dominação, gera mecanismos que perpetuam e reproduzem as condições materiais, ideológicas e política.” - Althusser (1970).

A prática social, através dos aparelhos ideológicos, carrega em si a desconstrução de um modelo de representação de valores e poder em cima das classes menos favorecidas. Daí a relevância de se estudar gêneros textuais específicos da mídia, como a propaganda para o público infantil, que pode ser argumentada pela condição promocional da cultura contemporânea, que estabelece uma estreita ligação entre a publicidade, valores sociais e o papel ideológico da mesma. A propaganda possui um discurso persuasivo, tentando manipular as pessoas, nesse caso as crianças, para comprarem um estilo de vida além de sua realidade.

Atualmente é nítido o desinteresse das crianças por aquilo que lhes seria genuíno; O brincar passa a ser um hábito e o consumo exibicionista chega ao ápice da diversão.

A televisão é um meio em que a publicidade mais atinge as crianças, e a dificuldade dos pais driblarem a sedução dos anúncios voltados para o público infantil gera polêmica. Em todo o mundo há instituições voltadas para combater abusos até quem defenda a proibição desses comerciais, é o caso da ONG Instituto Alana. Segundo a Presidenta, Ana Lucia Villela, “as crianças ainda não conseguem criar um juízo de valores sobre o que veem na televisão. Até os seis anos de idade elas não sabem o que é comercial ou programa.”

Todavia, para que uma propaganda possa melhor convencer uma pessoa a comprar algo do que ela não necessita, ela é, em sua maioria, formada por um texto cuidadosamente selecionado em seus componentes lingüísticos e em seus componentes visuais. Assim devemos avaliar melhor o que lhe está sendo oferecido, mas como fazer com que uma criança faça distinção quando seu super herói está a frente da própria mensagem e que até os seus primeiros seis anos de vida elas não sabem distinguir, como afirma a Presidenta do Instituto Alana em São Paulo.

Sabe-se que é muito mais fácil fixar um hábito durante a infância, já que é nesta fase que a percepção está sendo estruturada tornando-se também mais difícil modificar algo assimilado nesse período. Hoje, enquanto a criança cresce se estrutura, sua percepção do consumo como o grande prazer, gozo maior que o brincar, o aprender com a experiência, o construir seu conhecimento com o mundo da vida, das relações dialógicas, verdadeiras.

Com isso, as propagandas têm inovado sua apresentação de forma abusiva. A maneira que apelam para se obter a atenção de um possível consumidor é que prejudica a saúde, e o desenvolvimento do caráter, personalidade e auto-elevação de consumo.

A cada dia vemos nos intervalos dos programas de TVs, pontos de ônibus, lanchonetes, bancas de revistas, outdoor, concessionária de veículos, shoppings, etc.- Mas, nosso foco é a televisão -, fazendo propagandas para chamar a atenção dos consumistas e, com maior intensidade, às crianças.

O discurso é usado como veículo para vender produtos, idéias, serviços, pessoas. Além disso, tudo que as empresas precisam naquele momento é atingir seus objetos, ou seja, o de “vender”.

Lacan (2002) mostrou que o inconsciente se estrutura como a linguagem. O inconsciente é o discurso do outro, assim o desejo é o desejo do outro. Sendo dessa forma, há publicitários que, para criar suas peças, usam resultados de uma “testagem” que revela entre outros dados, desejos irrefletidos nas crianças, com estruturas levianas sobre as quais se movem. E com elas a publicidade trabalha na formulação dessas peças, numa ligação do inconsciente com o prazer que o produto irá remeter à criança.

A garotada aprende que só será reconhecida como parte desse universo, que é o imaginário construído, a partir de um hábito adquirido pelos veículos de comunicação, se adquirir esses produtos. As sensações de “pertencimento”, necessárias para a construção de sua identidade, passam pela incorporação, em seu funcionamento mental, de aspirações homogêneas e do padrão de consumo que as atende.

Precocemente a meninada é induzida a crer que os produtos de grife são sua identidade. Com essas marcas, como segunda pele, elas se sentem poderosas, meninas e meninos se tornam assim, propagandas sem custo, como outdoors ambulantes.

Fantasias de completude, idéias de poder, domínio de ter acesso ao que o outro não pode ter, do que essa criança vale é o que acontece nesta maneira de viver. A vontade fala mais alto que a necessidade.

Para alguns falta o presente, pois em seu mundo mental o objeto de desejo é o ser consumível. Observamos, por exemplo, que em algumas escolas de classe média alta, as crianças já mostram status uma com a outra.

Segundo a psicanalista Ana Olmos (2009), “as crianças, sem perceberem, consomem para dizer ao outro sobre elas próprias, para dizer para elas próprias quem são”.

Difícil é negar um pedido de uma criança, principalmente se esta é nosso filho. Tiramos dinheiro do bolso pra comprar aqueles montes de presentes, pouco úteis e que em poucos meses vão ser largados nos cantos da casa para serem substituídos por outros.

Uma emissora de TV Inglesa constatou que, por algum motivo, as propagandas veiculadas pela manhã têm impacto sobre o cérebro. As pesquisas também estão descobrindo que as propagandas podem ter efeito oposto ao que pretende, mas a verdade é que o consumo do público infantil vem aumentando.

Crianças é alvo fácil e de grande consumo, por isso, as empresas de publicidades estão investindo mais nos horários diurnos, onde o maior índice de programas voltados para esse público é bem maior. É pela manhã que aparece seu super-herói na tela e não no horário nobre.

As propagandas existem para influenciar pessoas, pensamentos e seu comportamento de acordo com o interesse do patrocinador. O segredo delas é o envolvimento emocional que elas tentam proporcionar a seu público-alvo, e aplicar estas técnicas é relativamente fácil.

Os propagandistas descobriram também, que a falta do convívio dos pais com os filhos, está diretamente ligada ao consumismo exacerbado das crianças. Eles, os pais, passam a realizar tudo o que seu filho deseja desde uma marca de celular a um delicioso hambúrguer.

Como atender então essas demandas ilimitadas se os nossos recursos são escassos? Isso mesmo, a nossa grana é curta e nada adianta ganhar um sorriso infantil se o cheque especial está no vermelho e o rotativo do cartão de crédito não mais pode ser usado, ou se o nosso plano de previdência anda de dieta há vários meses. Por outro lado recusar a compra de qualquer produto licenciados por personagens infantis acabaria dando um mal-estar muito grande com os garotos.

Dá um basta radical para esses apelos infantis não é a melhor saída. Uma sugestão do Economista Mauro Halfeld e colunista da Revista Época e da Rádio CBN “é fazer um bom acordo com as meninas e os meninos. Usar um desses produtos que eles querem adquirir como recompensa para as missões importantes, como por exemplo, um excelente resultado na escola, ou uma bela arrumação no quarto. Não estabelecer missão fácil e fugir dos prêmios mais caros”. Seria uma ótima opção para acabar com o consumismo exagerado dessa nova geração.

As crianças querem usar roupas de grife, tênis de marca, porque neles estão expressos, embora que simbolicamente, a que meio social pertence, ou que a ele deseja pertencer, tudo isso pautado no consumismo. É como se fosse uma áurea que envolve o produto. Por que nesse jogo de interesse as crianças crescem com um novo pensamento, com novas ideologias, elas deixam de “Ser” para “Ter” e passam a “Ter” para “Ser”.

Fonte

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Instituto Serrano de Conservação da Natureza


O Informativo O Charão nr 4 do Instituto Serrano de Conservação da Natureza já está disponível na versão colorida no site www.institutoserrano.org.br ou pode ser baixado aqui. Esta edição, além de posicionar nossos associados, parceiros e amigos sobre o Instituto Serrana e seus projetos, contém uma matéria sobre o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação e outra sobre a Reserva Rio das Furnas, uma área particular destinada à conservação da natureza, e a parceria da mesma com uma ONG e um grupo de empresas privadas. Desejando boa leitura, pedimos a gentileza de nos ajudar a divulgar nosso informativo.

Um forte abraço
Jordan P. Wallauer
Presidente do Instituto Serrano

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Fosfateira: por que não?

(Depósito de rejeitos de uma fosfateira)

por Samantha Buglione

A fosfateira no rio do Pinheiro, em Anitápolis/SC, foi eleita como a jazida que irá abastecer de fosfato toda demanda de fertilizantes, além de prover empregos necessários para uma região carente do Estado de SC. Ou seja, uma iniciativa importante para trazer o progresso. Emprego é uma palavra mágica. Argumento quase religioso para permitir qualquer ação política que tenha consequências pouco ponderadas a médio e longo prazo.

O que não é dito, porém, é que a região onde será instalado tão benéfico empreendimento está próxima às nascentes do rio Braço do Norte. Região composta, portanto, por inúmeras famílias de pequenos proprietários que praticam a agricultura familiar e orgânica (que, por sinal, dispensa esse tipo de fertilizante e tem ótima empregabilidade).

Os municípios de Santa Rosa de Lima, Anitápolis, Rio Fortuna e Braço do Norte são responsáveis por uma considerável fração da produção hortigranjeira catarinense. Inclusive a produção de orgânicos é a que mais cresce junto ao mercado consumidor, principalmente internacional.

Apesar das iniciativas contrárias da mídia, as pessoas estão se informando cada vez mais e não é todo mundo que está disposto a consumir produtos com agrotóxicos ou que promovam o desgaste da terra e poluição da água. Além disso, para ser instalada, uma barragem será construída no rio Pinheiros e 247 hectares (equivalentes a 350 campos de futebol) de mata atlântica serão suprimidos. Isso sem falar na água necessária para o funcionamento da empresa.

A exploração da jazida de fosfato em Anitápolis tem um impacto tremendo que faz com que a suposta geração de emprego e impostos seja o menor deles. Os custos ambientais e de saúde reverterão gastos para o Estado (para todos, portanto) em que, ao fim e ao cabo, zerarão ou tornarão negativos os supostos ganhos econômicos da região.

A Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) tem, em seu site, informações muito úteis que não foram em nenhum momento mencionadas no relatório de impacto ambiental apresentado pela Bunge/Yara. Uma delas é de que a exploração de jazidas de fosfato similares nos EUA resultou em contaminação por radioatividade e metais pesados nos lençóis freáticos e na atmosfera. Isso porque para a produção de uma tonelada de ácido fosfórico é necessária a produção de quatro toneladas e meia de um subproduto chamado sulfato de cálcio, que vem acompanhado de altas concentrações de radionuclídeos.

Ao longo do processamento do fosfato, quantidades imensas de sulfato de cálcio são depositadas em montes que a mineradora chama de “rejeito” e que as empresas divulgam como sendo material que não será usado. Os radionuclídeos são partículas que ficam livres no ar e na poeira. Podem ser respirados pela população e ser depositados na agricultura, e lagos e rios locais.

Se a preocupação do poder público é gerar empregos, sugiro investir em isenção fiscal para a produção de orgânicos e agricultura familiar, a exemplo da recente ação do governador Luiz Henrique para ajudar os produtores de suínos do Estado.

Uma política pública responsável é aquela capaz de pensar benefícios a curto, médio e longo prazo. Não se preocupar com resíduos, lixo e uso de água, de determinada iniciativa, é, no mínimo, razão de responsabilidade civil. O custo para a saúde dos moradores da região deve ser uma preocupação do poder público, salvo se os compromissos assumidos sejam com outros grupos que não com a sociedade catarinense.

Aí o esforço em trazer uma empresa como essa para Anitápolis se explica. Empresa, inclusive, que não consegue no seu país de origem desenvolver iniciativa semelhante. Será que os noruegueses não estão interessados nas divisas possíveis da Bunge/Yara? Ou eles percebem que o custo-benefício não é tão atrativo? Nunca há uma única alternativa para resolver os problemas sociais de uma região. O inaceitável é que a alternativa eleita seja uma que traga mais prejuízos que soluções.

Fonte: Banco do Planeta