segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Insight e cognição


Theodore Roszak

1. As ideias-mestras

Se há uma arte de pensar que quereríamos ensinar aos jovens, tem muito a ver com isto — mostrar como a mente se pode mover ao longo do espectro da informação, discriminando generalizações súbitas de pressentimentos, hipóteses de preconceitos irreflectidos. Para o nosso propósito, contudo, quero mover-me para o extremo do espectro, para o ponto limite em que os factos, cada vez mais rarefeitos, desaparecem por fim completamente. O que encontramos quando ultrapassamos tal ponto e entramos na zona em que os factos estão totalmente ausentes?

Aí encontramos as ideias mais perigosas de todas. Que, contudo, também podem ser as mais ricas e as mais fecundas. Pois é aí que encontramos aquilo a que poderíamos chamar as ideias-mestras — os grandes ensinamentos morais, religiosos e metafísicos que constituem os fundamentos da cultura […].

Quero centrar-me nelas porque têm uma relação particularmente reveladora com a informação, que é o nosso assunto principal. As ideias-mestras não se baseiam em qualquer informação. Utilizá-las-ei, portanto, para enfatizar a diferença radical entre as ideias e os dados, que o culto da informação tanto tem feito para obscurecer.

Tomemos uma das ideias-mestras da nossa sociedade como exemplo: Todos os homens nascem iguais.

O poder desta ideia familiar não nos é estranho. A partir dela, surgiram gerações de controvérsia jurídica e filosófica, movimentos políticos e revoluções. É uma ideia que moldou a nossa cultura de tal modo que nos toca profundamente; é parte, e talvez a mais importante, da nossa identidade pessoal.

Mas de onde surgiu esta ideia? Não, obviamente, de um qualquer conjunto de factos. Quem criou a ideia não possuía mais informações acerca do mundo do que os seus antepassados, que, sem dúvida, teriam ficado chocados com tal declaração. Possuíam muito menos informação acerca do mundo do que aquela que nós, no final do século XX, julgamos ser necessária para defender uma declaração tão radical e universal acerca da natureza humana.

2. A antiga magia matemática

O modelo matemático da certeza absoluta é uma das esperanças imortais da nossa espécie. Por mais mentalmente rígidos que a maioria dos cientistas possa ser (ou deseje parecer) na resposta à antiga magia da matemática, esse sonho platónico sobrevive, e em lugar nenhum mais vivamente do que no culto da informação […].

Há ideias de tipo inmatemático (poderíamos chamar-lhes insights ou, talvez, artigos de fé) que subjazem a todo o pensamento científico e o regem. Veja-se a nossa convicção básica de que há uma ordem racional na natureza, um modelo que a nossa mente consegue apreender. Esta é a mais fundamental das ideias científicas.

Mas em que se baseia? É um pressentimento ou uma esperança insistente, criada gradualmente, talvez, a partir de percepções efémeras de simetrias ou regularidades na natureza, ritmos e ciclos recorrentes — as quais se dissolvem todas continuamente na "confusão vibrante e crescente" da vida quotidiana. Utilizando esta ideia como uma espécie de filtro, eliminamos as excepções e as distracções e encontramos regularidades mais profundas, que se começam a parecer com a ordem das coisas.

Mas que tipo de ordem? A nossa ciência decidiu procurar a ordem dos números. Trabalhamos a partir da ideia poderosa de Galileu segundo a qual "o grande livro da natureza está escrito em linguagem matemática". Mas poderíamos ter escolhido outro tipo de ordem. Existe a ordem da música (e assim o astrónomo Kepler gastou a maior parte da sua vida à procura da harmonia das esferas); existe a ordem da arquitectura e do teatro; existe a ordem de uma história (um mito) contada repetidamente; existe a ordem do comportamento de um deus, em que esperamos a recompensa e a punição, a ira e o perdão.

Qual destas ordens é a mais importante? Fazer essa escolha também é uma ideia para ser seleccionada de entre todas as possibilidades.

Quase toda a ciência moderna foi gerada a partir de um pequeno conjunto de ideias metafísicas e mesmo estéticas, tais como:

O universo é constituído por matéria em movimento. (Descartes)
A natureza rege-se por leis universais. (Newton)
Conhecimento é poder. (Bacon)

Nenhuma destas ideias é uma conclusão a que se tenha chegado através da investigação científica; nenhuma delas resulta do processamento de informação. Constituem antes premissas que tornam possível a investigação científica e conduzem à descoberta de dados confirmativos. De novo, estas são ideias-mestras acerca da realidade e, tal como todas as ideias-mestras, transcendem a informação. Decorrem de uma outra dimensão da mente, de uma capacidade para o insight que é talvez comparável ao poder da inspiração artística e religiosa.

Theodore Roszak

Tradução de Rui Daniel Cunha
Gabinete de Filosofia da Educação
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Retirado de The Cult of Information: A Neo-Luddite Treatise on High Tech, Artificial Intelligence and the True Art of Thinking, de Theodore Roszak (Berkeley, University of California Press, pp. 91-92 e 113-115).

Publicado originalmente aqui.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Após ser controlado, incêndio volta a atingir a Ilha das Aranhas em Florianópolis


Fogo que iniciou no domingo (31) já atingiu 2,5 hectares, o equivalente a dois campos e meio de futebol

A fumaça voltou a ser avistada na Ilha das Aranhas. O incêndio começou neste domingo e chegou a ser controlado pelo Corpo de Bombeiros de Florianópolis.

Com o vento e o tipo de vegetação local, as chamas reascenderam nesta segunda-feira e o helicóptero da corporação, o Arcanjo, precisou ser acionado novamente.

Nos dois dias, o fogo atingiu uma área de 2,5 hectares, o equivalente a dois campos e meio de futebol.

A ilha está localizada na frente das praias do Santinho e Rio Vermelho. A causa do fogo ainda não é conhecida. O combate foi feito com uma equipe de quatro bombeiros.

De acordo com o capitão Giovanni Matiuzzi, comandante de operações aéreas, além do difícil acesso para chegar no lugar, há dificuldade em extinguir o incêndio.

— A vegetação é rasteira e forma uma espécie de turfa que fica queimando por baixo. O batedor não consegue combater. Usamos água e deixamos o lugar sem chamas. Mas por causa dessa característica e do vento, o fogo pode voltar.

A ilha é formada por duas áreas distintas: uma com mata e árvores de grande porte e a outra com vegetação rasteira, atingida pelo incêndio.

Segundo o capitão Matiuzzi, os danos registrados até o momento estão restritos à flora do local. Ele explica que como é uma reserva ambiental, a ilha só pode ser visitada com permissão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Caso alguém perceba novos focos de fumaça vindos do local pode entrar em contato com o telefone 193 e avisar o Corpo de Bombeiros.

DIARIO CATARINENSE

domingo, 31 de outubro de 2010

Evitando colisões de aves em vidraças



















Se sua casa ou edifício tem grandes vidraças, espelhadas ou não, onde os passarinhos costumam colidir, coloque nelas siluetas de falcões, que servem para espantá-las evitando a morte das pequenas aves.

Abaixo seguem duas imagens, para livre download, dessas siluetas (basta clicar para ampliar):



Um acidente comum que pode ocorrer com aves, principalmente nos locais onde elas são atraídas, como no Jardim Ecológico, é sua colisão com vidraças. Vendo o ambiente externo refletido nas vidraças, as aves pensam que são passagens, nelas colidindo. Uma forma muito prática e mesmo decorativa de evitar isto é afixar nestas vidraças desenhos de aves predadoras de pássaros, como falcões. Ao vê-los as aves desviam sua rota de vôo. Estão aqui disponíveis duas figuras dos Falcões do CEO, desenhados por Rolf Grantsau. Estas poderão ser copiadas, impressas e recortadas para serem afixadas nas vidraças. Também podem ser levadas a copiadoras solicitando-se a confecção de adesivos. É proibido seu uso para fins comerciais. Tem sido observadas colisões também com grandes paredes brancas. A solução no caso é pintá-las de outras cores ou deixar crescer trepadeiras como a unha-de-gato e outras.


Veja também a matéria com o adesivo invisível criado pelo estudante Charlie Sobcov: http://blog.brasilacademico.com/2009/01/inveno-de-garoto-canadense-pode-salvar.html

E outros links de referência em: http://www.ceo.org.br/jardim/evitarco.htm

Postado originalmente aqui!

Como e onde descartar os medicamentos


Endereços de recolhimento de resíduos de medicamentos magistrais:

Dermus
- Rua Conselheiro Mafra, 546 – Centro – Florianópolis
- Rua Esteves Júnior, 748 – Centro – Florianópolis

Como e onde descartar os medicamentos

Plantas medicinais

Podem ser descartadas no lixo comum, pois são consideradas lixo orgânico. Se estiverem encapsuladas devem ser abertas e o pó descartado separadamente das cápsulas vazias.

Cápsulas com extratos secos

Devem ser descartadas em lixo próprio para medicamentos alopáticos, como locais que recolham resíduos de saúde.

Medicamentos alopáticos sólidos (antibióticos, antiinflamatórios, etc.)

Devem ser descartados em locais próprios que recolham resíduos de saúde.

Medicamentos homeopáticos líquidos

Podem ser misturados com água fervente e descartados no vaso sanitário ou na pia.

Glóbulos homeopáticos

Podem ser diluídos em água fervente e descartados em vaso sanitário ou pia.

Recipientes de vidro dos produtos homeopáticos

Devem ser encaminhados para os locais de recolhimento de resíduos de saúde, como a Dermus, devidamente limpos com água fervente.

Recipientes de vidro de medicamentos alopáticos (xaropes, soluções, etc.)

Devem ser descartados em locais de recolhimento de resíduos de saúde, sem retirar o restante do produto da embalagem.

Recipientes plásticos que acondicionam semi-sólidos como cremes, pomadas e loções

Devem ser limpos com papel e depois em água corrente com sabão. Em seguida o recipiente e o papel usado para retirada do exc?????????esso de produto devem ser encaminhados ao local de descarte.

Bisnagas de alumínio

Devem ser abertas e limpas com papel e, em seguida, lavadas com água e detergente.

http://www.oisaojose.com.br/site/img/imagem_transparente.gif




Ecóleo: www.ecoleo.org.br

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A ‘filosofia’ bovina e os limites


artigo de Américo Canhoto

É sabido que a energia contida nos vários tipos de alimentos nos influencia até no comportamento.

Sabe-se desde lá quando, como espécie nós somos consumidores de produtos bovinos – daí, não é de se estranhar que tenhamos comportamentos que se assemelham; coisas simples: viver em rebanhos; repetir condutas; mascar o tempo todo; ruminar idéias; não ousar vontades próprias; sentir-se confortável nas padronizações; lentos nas decisões; gostar de ouvir estórias para boi dormir, etc.

Nossos limites são imponderáveis e tênues como a linha divisória entre sanidade e loucura, saúde e doença. Parte de nossa concepção sobre os individuais e os de relacionamentos pode ser enquadrada como subjetiva entre sentir-se bem ou mal, feliz ou infeliz, etc.

Há uma tentativa de padronizá-los, baseados em conceitos bovinos que envolvem a maioria; um exemplo é medir as capacidades intelectuais que vão da genialidade passando pela normalidade mediana, seguindo pelas consideradas limítrofes chegando até as deficientes.

Quando nos baseamos em padrões de normalidade de limites no rebanho; qualquer coisa pode estar acima, dentro ou abaixo; especialmente no que mais interessa: no peso que possa ter.

O problema torna-se mais complexo quando entram em jogo desejos e expectativas tornando-o mais subjetivo ainda.

Continue lendo aqui!

domingo, 24 de outubro de 2010

Barco movido a energia solar, criado por estudantes da UFSC, ganha repercussão mundial


Embarcação de fibra de carbono é viável, fácil de manter, além de não poluir o meio ambiente

Motivados pela possibilidade de criar uma embarcação que não poluísse o meio ambiente, alunos da Universidade Federal de SC (UFSC) criaram um barco movido a energia solar. No primeiro ano, a turma foi campeã do Desafio Solar Brasil. No segundo, participaram de uma competição na Holanda e sagraram-se o melhor grupo novato não europeu.

A equipe Vento Sul, inspirada em uma palestra na universidade, em abril de 2009, resolveu criar o Catamarã. A intenção era mostrar que um barco elétrico é viável, não polui e não precisa de manutenção constante. As placas fotoelétricas recebem a luz, repassam a um controlador de carga, que distribui ao motor e à bateria. Quando não há sol, o motor usa a energia armazenada na bateria.

O primeiro projeto, de fibra de vidro, material considerado pesado, participou e venceu o Desafio Solar Brasil, competição que aconteceu em Paraty (RJ), em julho do mesmo ano. Com o fim do ano letivo de 2009, alguns alunos se formaram e a equipe foi reformulada. Junto com novos integrantes, vieram novas ideias e uma outra embarcação foi construída. Com custo de R$ 60 mil, financiados por empresas, veio o Guarapuvu.

Consagração no maior evento mundial do setor

— Precisávamos de um barco superior. Investimos em todas as tecnologias possíveis, trocamos o material da carcaça, que agora é de fibra de carbono, muito mais leve — conta Tássio Simioni, estudante de Engenharia Química, coordenador da equipe.

Com a criação, o grupo de 20 estudantes estava pronto para participar do Frisian Solar Challenge, a competição mundial de barcos solares, que aconteceu em julho, na Holanda. Na seleção, dividida por classes, a equipe Vento Sul ficou na 17a posição entre 26, mas ganhou destaque como embarcação mais leve e a melhor equipe novata não europeia.

— Tivemos problemas técnicos por falta de testes, o que comprometeu a classificação. Mas ganhamos elogios, por aplicar técnicas diferenciadas.

Fonte DC

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Okapodi, oscar de melhor curta de animação em 2009



Algum nível de consciência pode despertar em algumas pessoas nesse desenho, acontece também na sua mente?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Oficina e palestras

(clique na imagem para ampliar)

Caros amigos, divulgando;

Gostaria de convida-los para a Oficina de Foto ambiental e Palestras sobre o livro Natureza Gaúcha que irei realizar em outubro no Rio Grande do Sul.

A oficina será na Escola Câmera Viajante, em Porto Alegre , nos dias 23, 24 e 25 de outubro. Mais detalhes no site da escola www.cameraviajante.com.br/fotoambiental_ze_paiva.html

As palestras serão em Pelotas, no Instituto Simões Lopes Neto, dia 26/10 as 19 horas, e em Rio Grande, na livraria Vanguarda, dia 27/10 as 18 horas. Anexo um convite.

Gostaria ainda de convida-los a visitar o blog do Projeto Expedição Natureza do Tocantins, que está com os diários e imagens de toda a primeira viagem, que foi para a região norte do estado.

Por favor divulguem. Grato, um abraço e votos de uma ótima semana!

Zé Paiva
Vista Imagens
vista@vistaimagens.com.br - para assuntos comerciais
ze@vistaimagens.com.br - para os demais assuntos

www.vistaimagens.com.br
www.zepaiva.wordpress.com - blog do Zé

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Documentário: Um Dia na Terra - One Day On Earth

One Day on Earth - Original Trailer from One Day On Earth on Vimeo.



Tem uma camera de video? Então você está qualificado para participar como cameraman do One Day on Earth, o documentário que deverá ser gravado por crowdsourcing e que promete ser o maior evento de mídia global de toda história. A intenção é documentar “a diversidade, os conflitos, as tragédias e os triunfos que ocorrem em um período de 24 horas no planeta” e será gravado por todos no dia 10 de outubro de 2010.

Descubra como participar aqui.